O TCE é a principal causa de morte por Trauma, alcançando 50% dos casos, os mais acometido são jovens entre 15-24 anos e o sexo masculino supera o feminino em incidência, a causa mais comum está relacionada a veículos de transporte e atropelamento, seguido de queda, violência interpessoal e atividade esportiva e recreacional.
O crânio pode ser dividido em duas porções: abóbada, que recobre o cérebro e a base. A abóbada é mais fina que a base, especialmente na região temporal, o que explica o comum acometimento dessa porção, com risco de lesionar a artéria meníngea média levando ao hematoma extradural. Já a base docérebro, como é firme e áspera pode provocar lesões por mecanismo de aceleração e desaceleração. Os envoltórios do cérebro são dura máter, pia máter e aracnoide. A dura-máter apresenta dois folhetos, um parietal aderido ao periósteo com algumas áreas livres, facilitando o acúmulo de sangue e formação do hematoma extradural ou epidural, o folheto visceral, em contato com o encéfalo, também apresenta áreas de menor aderência como a foice do cérebro e a tenda do cerebelo. Abaixo da dura está a aracnoide, que é frouxamente aderida a dura, enquanto apresenta projeções digitiformes em direção a pia-máter. Entre a dura e a aracnoide há algumas veias que as comunicam, quando lesionadas, essas veias produzem o hematoma subdural.
(l) pupilas assimétricas;
(2) assimetria motora;
(3) fratura aberta de crânio com perda de líquor ou exposição de tecido cerebral;
(4) escore de Glasgow menor ou igual a 8 ou queda maior que 3 pontos na reavaliação (independente do escore inicial);
(5) fratura de crânio com afundamento.
TCE Glasgow
Leve 13-15
Moderado 9-12
Grave 3-8
Abertura ocular Pontos Espontânea 4 Estímulo verbal 3 Estímulo doloroso 2 Ausente 1
Melhor resposta verbal Orientada 5 Confusa 4 Palavras inapropriadas 3 Palavras incompreensíveis 2 Ausente 1
Melhor resposta motora Obedece comando 6 Localiza estímulo doloroso 5 Retira membro a dor 4 Flexão anormal (decorticação) 3 Extensão anormal (descerebração) 2 Ausente 1
A fratira de crânio não se correlaciona coom a gravidade, pois podem haver quadros bastante graves mesmo sem fratura. No entanto, a presença de fraturas aumenta o risco para a formação de hematomas, por isso, mesmo que o individuo seja pouco sintomático ou assintomático vale considerar a internação.
Há quatro tipos de fratura:
(1) Fraturas lineares simples: representam perigo se essas atravessam algum território vascular, aumentando a incidência de hematomas intracranianos.
(2) Fraturas de afundamento: se o afundamento supera a espessura da calota craniana está indicado o tratamento da lesão cerebral subjacente e a fixação cirúrgica, devido aos riscos de convulsão.
(3) Fratura aberta: em que há rompimento da dura e comunicação entre o meio externo e o parênquima, há indicação de desbridamento e sutura da dura-máter.
(4) Lesões da base do crânio: são difíceis de diagnosticar ao exame radiológico, por isso são melhor diagnosticadas quando há fístula liquórica através do nariz ou do ouvido, evidentes pelos achados clínicos de rinorréia e otorréia, ou equimoses na região mastoide (Sinal de Battle), equimose periorbitária que ocorre na fratura da lâmina crivosa(Sinal do Guaxinim) ou na lesão do VII par craniano com paralisia facial, ou do VIII par craniano, provocando perda da audição.
A lesão cerebral difusa ocorre na desaceleração brusca do SNC, com interrupção de seu funcionamento de forma temporária (como na concussão) ou permanente (como na lesão axonal difusa). Logo, concussão e LAD são as duas formas de lesão cerebral difusa.
Concussão: perda temporária de alguma função cerebral, que pode se manifestar como amnésia (geralmente retrógrada), confusão, perda de consciência, que tendem a desaparecer antes mesmo de o paciente chegar à emergência. A memória tende a retornar gradativamente, onde o paciente lembra-se primeiramente de eventos mais distantes do momento do trauma.
Lesão axonal difusa: é causada pela aceleração e desaceleração rotacional da cabeça, que causa cisalhamento ou ruptura dos axônios de ambos hemisférios. Se distribui de forma difusa, mas acomete com maior frequência estruturas inter-hemisféricas (corpo caloso) e porção dorsolateral do mesencéfalo,existe uma elevada frequência de lesões centromedianas associadas: hemorragia intraventricular e encefálica múltipla, assim como hemorragias do fórnix, cavum e septo pelúcido. Clinicamente, observa-se alteração importante no nível de consciência já no momento do trauma, o estado comatoso dura obrigatoriamente mais de seis horas, o que diferencia a LAD da concussão cerebral leve e clássica.
-LAD grave: é aquela em que o estado comatoso perdura por mais de 24 horas e coexistem sinais de envolvimento do tronco encefálico, como postura de descerebração ao estímulo nociceptivo. Nesses casos,não estão presentes achados clínicos típicos de HIC causada, por exemplo, por lesão expansiva intracraniana, que seriam assimetria pupilar ou motora, dessa forma devemos suspeitar de LAD grave, o paciente apresenta-se com postura patológica que encerra prognóstico sombrio. A mortalidade é de 51%.
-LAD moderada: é toda aquela não acompanhada de posturas de decorticação ou descerebração, em um paciente que permanece em coma por mais de 24 horas. A recuperação clínica costuma ser incompleta, com uma mortalidade de 24%.
A LAD leve caracteriza-se por coma por mais de seis horas, porém menos do que 24 horas. Deficits neurológicos e de memória podem ser encontrados. A mortalidade gira em torno de 15%.
O diagnóstico é feito através da anatomia patológica, mas pode ser verificado através da Tomografia Computadorizada (TC) de crânio, que exclui a possibilidade de lesões expansivas e hipertensão intracraniana. Infelizmente, somente em metade dos casos as lesões sugestivas (discretos pontos de hemorragias no corpo caloso e centro semioval) são observadas na TC de crânio. Atualmente, a ressonância magnética por difusão apresenta grande sensibilidade para determinar as lesões anatômicas; o exame identifica
a presença de hipersinal no esplênio do corpo caloso. O tratamento tem como base o suporte clínico, não havendo indicação de tratamento cirúrgico.
Hematoma epidural, (extradural), subdural e intraparenquimatoso.
É a lesão focal mais frequente no TCE, acomete mais frequentemente pacientes alcoolatras, em uso de anticoagulantes e idosos, devido a atrofia cerebral e aumento do espaço subdural. Ocorre por ruptura de vasos entre a dura e a aracnoide, causando acumulo de sangue nesse espaço.
Alteração no nível de consciência, deficits lateralizados, anisocoria, posturas patológicas e arritmia respiratória são encontrados em combinações variadas. Pode também ocorrer efeito de massa que acabe gerando HIC que se manifesta muitas vezes por meio da tríade de Cushing: hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia. A tríade de Cushing está relacionada à presença de hipertensão intracraniana grave, com herniação transtentorial (através da tenda do cerebelo) iminente.
Desvio de 5mm ou mais da linha media já tem indicação cirúrgica, a drenagem é feita com craniotomia ampla, mas tem prognostico sombrio devido as lesões geralmente associadas: hematomas intraparenquimatosos, LAD grave. A fenitoina diminui o numero de convulsões na 1ª semana após o TCE.
Está entre a dura máter e a face óssea interna da abóbada craniana. O acúmulo de sangue é decorrente de lesões dos ramos da artéria meníngea média que cruzam o osso temporal, onde estão expostos ao trauma direto; em poucos casos, o hematoma resulta da lesão do seio venoso sagital, da veia meníngea média e das veias diploicas.
Embora seja decorrente de trauma craniano grave, o hematoma epidural não costuma vir acompanhado de grande dano ao córtex cerebral subjacente, complicação que ocorre com maior frequência no hematoma subdural agudo. O hematoma extradural é bem menos frequente que o subdural, mas como tem origem geralmente arterial, tem instalação aguda, suas complicações mais temidas são: aumento da PIC e herniação do uncus.
Muitas vezes, a janela para osso na tomografia de crânio já é suficiente para identificarmos a fratura. Assim como no hematoma subdural, a TC de crânio é o método diagnóstico de escolha. O hematoma caracteriza-se por lesão hiperdensa, biconvexa na maioria dos casos. Outros achados que podem ou não estar presentes incluem edema cerebral, desvios da linha média, apagamento das cisternas superficiais e apagamento das estruturas do sistema ventricular. As localizações temporal, temporoparietal e frontotemporoparietal são as mais frequentes.