Epilepsia Flashcards

1
Q

O que é a epilepsia?

A

Desordem cerebral em que há predisposição de gerar crises epilépticas recorrentes, ocorrendo por alguma anormalidade intrínseca no circuito elétrico cerebral, podendo gerar crises recorrentes mesmo sem a precipitação de um fator externo.

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2
Q

Como é definida a epilepsia?

A

É a presença de pelo menos 2 crises epilépticas com um intervalo mínimo de 24h ou a presença de 1 crise apenas mas com mais de 60% de chance de recorrência.

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3
Q

Como estabelecer a chance de recorrência da crise epiléptica?

A

São pacientes com alteração no exame neurológico, alteração estrutural na imagem (ex: tumor), crise durante o sono e alteração no EEG.

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4
Q

Por que as crises convulsivas febris e as crise sintomáticas não entram no contexto da epilepsia?

A

Pois as crises febris e as crises sintomáticas apresentam um fator provocador (são provocadas) que é TRANSITÓRIO. Já a crise epiléptica, as crises recorrentes podem ocorrer sem um fator precipitante.

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5
Q

Por que a crise epiléptica é desencadeada?

A

É desencadeda por uma atividade anormal no córtex cerebral de um grupamento de neurônios com atividade elétrica anormal.

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6
Q

Qual a expressão clínica da crise epiléptica?

A

Varia conforme a região cortical acometida, podendo ser motora (córtex motor), sensitiva (córtex sensitivo), psíquicas (temporal ou frontal) e autonômicas (temporal).

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7
Q

Defina: crise epiléptica, convulsão, epilepsia e estado pós-ictal.

A

Exacerbação paroxística de uma determinada função cerebral (motora, sensitiva, psíquica ou comportamental).
Exacerbação paroxística motora.
Crises epilépticas recorrentes.
Período logo após a crise que dura de 30 minutos a 2 horas, sendo marcado por disfunção de uma área cerebral afetada.

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8
Q

O que é o estado da mau epiléptico (status epilepticus)?

A

É a presença de uma crise epiléptica com duração maior do que 30 minutos ou as crises são recorrentes (crises subentrantes) sem que tenha havido recuperação da consciência entre elas.

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9
Q

O que é o estado pós-ictal?

A

É o período logo após a crise, que pode durar de 30min - 2h, sendo frequentemente marcado por sonolência, vômitos ou cefaleia. Pode haver também hiper-reflexia profunda com clônus, ataxia e Babinski.

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10
Q

O que é a paralisia de Todd?

A

É uma hemiparesia transitória que pode se instalar no período pós-ictal de uma crise focal motora. Possui resolução espontânea em até 24h (mais que isso deve-se suspeitar de evento isquêmico).

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11
Q

Qual a incidência cumulativa da epilepsia?

A

3% da população geral, sendo que metade dos casos se inicia na infância.

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12
Q

Qual a epidemiologia das crises convulsivas?

A

Ocorre em até 10% das crianças, podendo ser uma crise convulsiva febril, crise sintomática ou crise epiléptica.

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13
Q

Quantas crianças terão epilepsia após uma crise convulsiva?

A

Apenas 30% das crianças terão epilepsia após uma crise convulsiva.

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14
Q

Qual a classificação das crises epilépticas?

A

Está relacionada à consciência no momento da crise:

  • Generalizada: há perda total da consciência. A crise ocorre mais ou menos de forma síncrona e simultânea em diversso pontos diferentes do cérebro. Mais frequentes em crianças
  • Parcial simples: sintomas focais (de uma determinada área cortical) sem alteração da consciência. O foco epiléptico está em um local em apenas 1 hemisfério.
  • Parcial complexa: “nasce” no lobo temporal ou frontal e há alteração no nível de consciência (não responsividade, olhar distante). Podem haver automatismos oroalimentares (mastigar, engolir) e perseveração (movimentos repetidos).
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15
Q

Qual o pico de idade da incidência de epilepsia?

A

O pico de incidência é em 1 ano de vida, se mantendo até a idade pré-escolar.

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16
Q

Quais as possíveis explicações para ser mais frequênte na infância?

A

O encéfalo da criança apresenta situações epileptogênicas que favorecem o aparecimento da crise epiléptica: aumento nos neurotransmissores excitatórios e atividade paradoxal do GABA como neurotransmissor excitatório além de sua ação inibitória.

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17
Q

Qual a relação entre a idade e a lesão neurológica pela crise epiléptica?

A

As crianças, apesar de serem mais propensas a desenvolverem uma crise epiléptica que os adultos, apresentam uma proteção maior em relação à lesão axonal secundária. Porém, existem evidências de que a crise epiléptica no período neonatal favorece a epileptogênese no futuro e pode causar déficit de aprendizado/memória na vida adulta.

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18
Q

Qual a classificação etiopatogênica da epilepsia? Comente sobre cada tipo.

A

1) Genética ou Idiopática: não é identificado um fator causal, porém ocorre provavelmente por alterações bioquímicas neuronal herdadas geneticamente.
2) Com causa estrutural-metabólica ou sintomáticas: são resultantes de uma lesão cerebral identificável, como encefalopatia hipóxico-isquêmica, malformações de migração ou desenvolvimento neuronal, MAVs, tumores.
3) Criptogênica: existe lesão cerebral provável, mas os exames de imagem não conseguem identificá-la.

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19
Q

Por que áreas de morte neuronal podem se transformar em focos epileptogênicos?

A

Existem algumas teorias: as áreas de morte neuronal podem perder seletivamente neurônio inibitórios gabaérgicos ou formariam ao longo do tempo circuitos excitatórios aberrantes.

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20
Q

Quais informações eu devo buscar para a melhor estratégia terapêutica da epilepsia?

A

A idade de início, frequência, momento do dia ou noite, fatores precipitantes, tipo da crise e desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

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21
Q

Quais os fatores de mau prognóstico na epilepsia?

A

Início precoce, crises de difícil controle com anticonvulsivantes, crises que levam à deterioração cognitiva e motora e anormalidades neurológicas prévias (ex: atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor).

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22
Q

Como é feito o Dx de epilepsia?

A

É EMINENTEMENTE CLÍNICO.

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23
Q

Qual a importância do EEG no Dx?

A

É um exame que corrobora o Dx de epilepsia, porém a sua ausência não excluir esse diagnóstico, pois o EEG inter-ictal em uma criança epiléptica pode ser normal em até 40% dos casos e podem não detectar atividades elétricas anormais em focos profundos.

24
Q

O que são auras epilépticas?

A

São manifestações sensitivossensoriais decorrentes da ativação de uma região cortical limitada. Apresentam curta duração (segundos) e ocorrem no início da crise. A pessoa pode ou não lembrar delas (amnésia quando há início da crise como parcial mas uma degeneração generalizada secundária).

25
Q

Quais os tipos de auras epilépticas?

A

Somatossensitivas (formigamento, choque, dor), visuais, auditivas, olfatórias, gustativas, autonômicas, cefálicas, experienciais (déjà vu/jamais vu, …). Porém atualmente, na verdade, essas “auras” são consideradas parte da crise.

26
Q

Como deve ser feito o tto ideal da epilepsia?

A

O tto ideal da epilepsia deve ser feito com apenas 1 droga anticonvulsivante até dose máxima suportada pelo paciente. É interessante dosas os antiepilépticos para atingir a dose ideal e monitoria HMG e provas de função hepática nos 3 primeiros meses, quando a toxicidade dessas drogas é maior.
O objetivo é a não recorrência das crises.

27
Q

Qual o tto da epilepsia?

A

Medicamentoso(1a ou 2a geração), cirúrgico (quando for refratária ao tto medicamentoso - crises intratáveis) ou dieta cetogênica (epilepsia de difícil controle).

28
Q

Explique a dieta cetogênica.

A

Indução de cetose metabólica por dieta restrita de carboidratos e proteínas, ingerindo apenas gorduras. O princípio terapêutico é a ação anticonvulsivante do acetato e do betahidroxibutirato.

29
Q

Quais as drogas utilizadas no tto da epilepsia?

A

Carbamazepina, clonazepam, fenobarbital, fenitoína, primidona, ácido valproico, gabapentina, …

30
Q

O que é a crise de ausência?

A

Lapsos curtos e sucessivos da consciência (< 10s), podendo ocorrer várias vezes durante o dia.

31
Q

O que é a crise tônico-clônica generalizada?

A

Se inicia com um grito, perda da consciência com queda, seguida de uma fase tônica (espasmo tônico extensor de todo o corpo, apneia e cianose) e seguida pela fase clônica (abalos clônicos simétricos bilaterais). É comum salivação e liberação esfincteriana Há dores musculares e fadiga.

32
Q

O que é a crise mioclônica?

A

Abalos clônicos bilaterais e simétricos sem a perda da consciência e nos membros. Pode evoluir para o grande mal (crise tônico-clônica generalizada). Ocorrem geralmente no início do dia.

33
Q

O que é a crise atônica?

A

Atonia súbita de todo o corpo, levando à queda imediata ou só da cabeça. A consciência é preservada. Mais comum na infância.

34
Q

O que é a crise parcial com generalização secundária?

A

É muito comum a crise começar parcial e evoluir para tônico-clônica generalizada.

35
Q

Explique a epilepsia primária/idiopática.

A

Geralmente abrem o quadro na infância ou adolescência e possuem forte predisposição familiar. São desencadeadas, muitas vezes, por estímulos luminosos, hiperventilação, privação do sono, etc. Tendem a desaparecer na fase adulta e possuem EEG característico.

36
Q

Quais os Ddx?

A

Síncope, AIT, AGT e migrânea.

37
Q

Explique a síncope como DDx.

A

É um sintoma neurológico de um evento CV. Possui pródromo diferente (escurecimento visual, sensação de desmaio eminente e perda de consciência). Alguns casos (pré-síncope ou lipotímia) só ocorrem esses eventos prodrômicos.
Pode haver alguns abalos. O retorno é RÁPIDO no nível de consciência (não possui pós-ictal).

38
Q

Explique o AIT como DDx.

A

Déficit neurológico focal TRANSITÓRIO, voltando com a função normal. Alto risco de AVC após.
A crise convulsiva é um evento positivo (possui as funções neurológicas exacerbadas), já no AIT há perda de função (a manifestação é negativa). Mantém o nível de consciência na grande maioria das vezes.

39
Q

Explique a migrânea como DDx.

A

Pode possui fase prodrômica (aura - antecede a cefaleia, dura poucos minutos geralmente - alterações visuais, dormência - quando desaparecem, vem a cefaleia).

40
Q

Explique o AGT (amnésia global transitória) como DDx.

A

É um quadro eminente de memória: pcte > 50 anos que chega no PS não sabendo onde está, por que está lá, altamente repetitivo, perda seletiva da memória recente. Sem outras alterações, APENAS memória.

41
Q

Quais características SUGEREM um transtorno conversivo?

A
Mais longo (> 2 minutos), olhos forçadamente fechados, rolar lado a lado, empurrar a pelve para frente, incontinência menos comum.
Considerar preferencialmente como Dx de exclusão.
É interessante colocar esses pacientes em vídeoeletroencefalograma.
*Crises epilépticas do lobo frontal podem ser extremamente bizarras (podendo simular evento psicogênico).
42
Q

Qual a diferença entre as crises generalizadas e as focais?

A

Generalizadas: se iniciam de forma simultânea e síncrona em diversos pontos do cérebro. Mais comuns em crianças
Focais: local de início bem definido. Mais comum em adultos.

43
Q

Como se manifestam as crises focais?

A

Podem ou não evoluir com alteração da consciência. As mais frequêntes são do lobo temporal (sensação inicial de deja vu, despersonalização, escutar vozes, sensação epigástrica - autonômica -, medo e se segue a parada comportamental, com olho fixo, movimentos automáticos de boca/mão, perde o contato, não responde e pode ter ou não abalos). Ela dura mais que a crise de ausência.
Frontal: geralmente são motoras (clônicos na mão, pode paracer com a psicogênica, …), possui predileção pela noite (sono).
Parietal: raro, sensitiva.
Occipital: raro também, visual.

44
Q

Qual a conduta na primeira crise?

A

Anamnese bem feita (com paciência), exame físico neurológico, exames laboratoriais (quadros sintomáticos agudos podem precipitar uma crise - hiponatremia importante, hipoglicemia, hipocalcemia) + neuroimagem (definir etiologia da crise), EEG (biomarcador da epilepsia). Líquor (suspeita de meningoencefalite).
*Até 30% dos pacientes que tiveram crise epiléptica apresenta os exames NORMAIS após a crise. O exame ajuda a afastar causas 2árias.

45
Q

Qual a etiologia das crises convulsivas?

A

AVC, tumor, hematoma, trauma, displasias (defeitos na migração dos neurônios), infecciosas (meningite), imunomediada, metabólica, drogas, abstinência, eletrólitos, glicemia, uremia, tireoide.

46
Q

Qual a conduta em estado de mau epiléptico?

A

BZD (diazepam IV ou midazolam IM) seguida de fenitoína IV para prevenir outras crises.
Caso o paciente se torne refratário: IOT e coma induzido.

47
Q

Quando vou iniciar e manter os antiepilépticos?

A

Se, na 1a crise houver FR ou se for a 2a crise. Se houver paroxismo no EEG, alteração estrutural na RNM.

48
Q

Imagem drogas antiepilépticas.

A

Efeitos colaterais e interações medicamentosas maiores nos antigos. É interessante ressaltar que os antiepilépticos de curto espectro (crises focais) podem PIORAR uma crise generalizada, por isso a importância de definir a crise.

49
Q

Como atua o fenobarbital (gardenal)?

A

Potencialização da ação do GABA, inibe o início da descarga.
É indicada em TODOS os tipos, exceto para as crises de ausência.
Os principais efeitos adversos são sedação e depressão.

50
Q

Como atua a fenitoína (hidantal)?

A

Bloqueio dos canais de sódio, inibe a propagação da descarga.
Indicações em TODAS as crise exceto as de ausência.
Principais efeitos adversos são ataxia, vertigem, hipertrofia gengival, hirsutismo, anemia megaloblástica, malformação fetal, reações de hiperssensibilidade.

51
Q

Como atua a carbamazepina?

A

Bloqueio uso dependente dos canais da cálcio, inibe a propagação da descarga.
É a melhor droga para tto das crises focais. Não é usada na crise de ausência.
Principais efeitos indesejáveis são

52
Q

Como atua o valproato?

A

Mecanismo incerto, efeito fraco sobre o GABA e canais de sódio.
Usado para a maioria dos tipos de epilepsia, mas principalmente para as focais e de ausência.
Principais efeitos indesejáveis: malformações fetais, aumento de peso, queda de cabelos e náusea (são menores que os outros fármacos).

53
Q

O que fazer quando eu ver uma pessoa ter uma crise?

A

Não colocar nada na boca do paciente, colocar o paciente em decúbito lateral e esperar a crise cessar. Na emergência, é interessante pegar o acesso venoso no paciente que teve a crise para, caso ele tenha outra crise, já tenho o acesso para fazer a medicação.

54
Q

Qual a medicação para cessar uma crise epiléptica?

A

Diazepam ou midazolam.

55
Q

Condutas em estado de mal epiléptico.

A

.

56
Q

O que é hidantalizar?

A

Adm uma dose alta de hidantal no paciente (20 mg/kg), NUNCA sendo feito com soro glicosado