Cardiopatias Adquiridas Flashcards

1
Q

Doença de Kawasaki - quadro clínico geral

A
  • Febre (>39ºC) com mais de 5 dias de evolução
  • Exantema típico do tronco e genitais
  • Conjuntivite não-purulenta
  • Adenopatia cervical unilateral
  • Eritema e edema das palmas das mãos e plantas dos pés e posterior descamação
  • Lábios fissurados
  • Língua em framboesa
  • Vasculite sistémica aguda (pequenos e médios vasos - ex.coronárias)
  • Pode ainda haver: alterações articulares, meningismo ou encefalite imunológica e diarreia
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2
Q

Doença de Kawasaki - epidemiologia

A
  • Principal causa de doença cardíaca adquirida na pediatria
  • Incidência é maior na população asiática, nomeadamente Japão e Hawaii
  • Predisposição cromossómica: afeta mais o sexo masculino
  • 80% dos casos ocorrem antes dos 5 anos de idade
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3
Q

Doença de Kawasaki - etiologia

A
  • Multifatorial com predisposição genética
  • Parece haver uma exposição anterior a um agente infeccioso que despoleta uma resposta imune implicada na doença de Kawasaki
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4
Q

Doença de Kawasaki - manifestações cardiovasculares

A
  • Ocorrem na minoria dos casos
  • Dividem-se em 3 fases
    1. Fase aguda (1 semana e meia): 3 manifestações major -> miocardite, endocardite e aneurismas das coronárias
    2. Fase de convalescença: maioria das manifestações regridem e normalizam (miocardite é a única com tendência a prolongar, com diminuição da contratilidade do ventrículo esquerdo)
    3. Fase remota
  • Crianças podem ter enfartes
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5
Q

Miocardite aguda - quadro clínico

A
  • Taquicardia
  • Sopro de novo
  • Galope
  • Sinais de insuficiência cardíaca congestiva
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6
Q

Pericardite aguda - quadro clínico

A
  • Atrito pericárdico

- Hipofonése dos sons cardíacos

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7
Q

Doença de Kawasaki - MCDTs

A
  • Diagnóstico é clínico
  • MCDTs:
    1. Bioquímica: VS e PCR aumentadas, hipoalbuminémia e aumento transitório das transaminases
    2. Hemograma: anemia, trombocitose e leucocitose
    3. Piúria estéril e proteinúria
    4. Ecocardiograma: avaliar o impacto da mio, endo ou pericardite; avaliar o envolvimento das coronárias
    5. ECG: arritmias que traduzem irritação, edema ou isquémia miocárdica
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8
Q

Doença de Kawasaki - evolução

A
Fase aguda (1-2 semanas):
- Febre
- Miocardite
- Artrite
Fase subaguda (4-6 semanas):
- Febre
- Trombocitose reativa
- Aneurismas das coronárias
Fase de convalescença:
- Resolução clínica e normalização laboratorial
Fase crónica:
- Sequelas cardiovasculares: aneurismas e estenoses das coronárias
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9
Q

Doença de Kawasaki - diagnóstico

A

D. Kawasaki completa:
- Febre > 5 dias + 4 ou 5 dos seguintes critérios:
1. Conjuntivite
2. Rash
3. Eritema e edema das mãos e pés
4. Adenopatia cervical, geralmente unilateral
5. Mucosas orais afetadas
D. Kawasaki incompleta:
- Febre > 5 dias + 2 ou 3 dos critérios prévios
- Febre > 7 dias + lactente < 6 meses

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10
Q

Doença de Kawasaki - tratamento

A

Fase aguda:

  • Administração de anti-inflamatórios:
    1. Aspirina em dose anti-inflamatória (até 14 dias de doença)
    2. Gamaglobulina EV (aumenta a resposta imunitária)
    3. Diuréticos e inotrópicos como terapêutica dirigida e sintomática

Fase subaguda:

  • Evitar as complicações agudas da trombocitose associada às alterações coronárias:
    1. Aspirina em dose anti-agregante (mantida durante a fase subaguda e fase de convalescença)
      * Se envolvimento coronário, manter AAS indefinidamente.

Vacinas:

  1. Vacina da gripe e anti-varicela
  2. Protelar a vacinação com vacinas vivas pelo menos 3 meses
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11
Q

Febre reumática - introdução

A
  • É um processo inflamatório autoimune que se desenvolve como sequela de uma infeção aguda da ororfaringe ou de uma infeção aguda cutânea pelo Streptococcus beta hemolítico do grupo A.
  • A complicação mais severa é a cardite
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12
Q

Febre reumática - epidemiologia

A
  • Segunda cardiopatia adquirida mais frequente na idade pediátrica mundialmente; nos países em desenvolvimento é a primeira causa
  • Associado a predisposição genética, a baixo nível sócio-económico e fatores ambientais
  • Pior prognóstico no sexo feminino
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13
Q

Febre reumática - fisiopatologia

A
  • Existem 2 teorias complementares:
    1. Efeito tóxico produzido por uma toxina extracelular do streptococcus
    2. Resposta imunitária anómala a componentes da bactéria por mimetismo molecular
  • Existem 3 fases que podem afetar todos os órgãos-alvo:
    1. Fase exsudativa: lesão de necrose fibrinóide (parede dos vasos) que leva a artrite, coreia e cardite
    2. Fase proliferativa: cicatrização com formação de nódulos (nódulos de Aschoff: focos de degenerescência fibrinóide rodeados por linfócitos e macrófagos “inchados” - células de Anitschkow, patognomónicas da febre reumática)
    3. Fase crónica: há engrossamento dos folhetos valvulares, fusão das comissuras e engrossamento e fusão das cordas tendíneas
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14
Q

Febre reumática - manifestações clínicas

A
  • Surgem cerca de 1-5 semanas após infeção orofaríngea (muitas das vezes a doença inicial foi subclínica)
  • Na fase aguda predominam a poliartrite, cardite e eritema marginado
  • Depois surge a coreia de Sydenham e os nódulos subcutâneos
  • A recorrência é comum até aos 30 anos
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15
Q

Febre reumática - poliartrite

A
  • Simétrica, envolvendo grandes articulações com padrão aditivo
  • Clínica principal é a dor e a impotência funcional
  • Evolução auto-limitada, sem sequelas
  • Tratamento com salicilatos com boa resposta em 12 a 24h
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16
Q

Febre reumática - cardite

A
  • Manifestação frequente
  • Aparecimento precoce (primeiras 3 semanas)
  • É a lesão mais grave e com mais sequelas
  • Pancardite
  • 70% envolve a válvula mitral e 30% envolve a válvula aórtica
  • Sinais: taquicardia e sopro de novo; pode haver derrame e atrito pericárdico
  • Pode ser assintomático
  • Exames complementares:
    1. Radiografia de tórax: cardiomegália
    2. Ecocardiograma: envolvimento valvular e derrame
    3. ECG: prolongamento PR e bloqueio AV de 1º grau
17
Q

Febre reumática - eritema marginado

A
  • Eritema macular, rosado, fugaz, evanescente, não-pruriginoso
  • Afeta o tronco e nunca a cara
  • Raro
  • Aparecimento precoce
  • Piora com o calor
18
Q

Febre reumática - nódulos subcutâneos

A
  • Raros
  • Pequenos e múltiplos
  • Não doloroso e sem sinais inflamatórios
  • Aparecimento tardio
19
Q

Febre reumática - coreia de Sydenham

A
  • Faz o diagnóstico de febre reumática
  • Mais frequente em crianças e adolescentes do sexo feminino
  • Caracteriza-se por: movimentos coreoatetósicos, hipotonia muscular e labilidade afetiva
  • Desaparece com o sono e agrava-se com o stress e esforço
  • Aparecimento tardio
20
Q

Febre reumática - diagnóstico

A
  • Pelos critérios de Jones modificados:
    1. 2 critérios major ou
    2. 1 critério major + 2 critérios minor
      Adicionalmente: documentação de infeção prévio por streptococcus do grupo A
21
Q

Febre reumática - tratamento

A
  • Antibioterapia:
    1. Penicilina G benzatínica 1 200 000 U IM
    2. Amoxicilina 250mg 8/8h
    3. Eritromicina, se alergia
22
Q

Febre reumática - profilaxia secundária

A
  • Com penicilina G benzatina de 3 em 3 semanas durante:
    1. FR sem cardite - até aos 21 anos ou 5 anos após último surto
    2. FR com cardite prévia - até aos 25 anos ou 10 anos após último surto
    3. Lesão valvular residual - até aos 40 anos ou por toda a vida
    4. Cirurgia valvular - para toda a vida
23
Q

Febre reumática - prevenção

A
  1. Prevenção primordial - higiene e cuidados básicos de saúde
  2. Prevenção primária - vacinas e antibioterapia
  3. Prevenção secundária - principal intuito de diminuir as recorrências de doença e lesões aditivas nos órgãos-alvo
  4. Prevenção terciária - evitar a progressão para fases mais graves da doença ( através da terapêutica para IC, cirurgias valvulares, anti-coagulação, etc.)