Paciente feminina de 28 anos apresenta ptose palpebral e diplopia que pioram progressivamente ao longo do dia e melhoram com o repouso. Ela também relata dificuldade para mastigar (fadiga mandibular). O exame físico revela fraqueza flutuante dos músculos extraoculares. Qual é a etiologia mais provável desta fraqueza?
Diagnóstico: Miastenia Gravis (MG).
Fisiopatologia (Step 1): A MG é uma doença autoimune tipo II mediada por anticorpos (principalmente IgG) contra os receptores de acetilcolina (AChR) nicotínicos na placa motora pós-sináptica. Essa ligação bloqueia, internaliza e destrói os receptores, diminuindo o número de AChR funcionais. Com a estimulação repetitiva, menos acetilcolina consegue se ligar, resultando em um potencial de placa motora de amplitude decrescente, o que causa a fadiga muscular característica (piora com o uso).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela detecção de anticorpos anti-AChR (mais comum) ou anti-MuSK. O teste de gelo (ice-pack test) pode ser usado à beira do leito (a baixa temperatura inibe a acetilcolinesterase, melhorando a ptose). O tratamento sintomático de primeira linha é um inibidor da acetilcolinesterase (ex: Piridostigmina). Para controle a longo prazo ou em casos graves, utiliza-se imunossupressão (ex: Prednisona, Azatioprina). Deve-se realizar TC de tórax para rastrear timoma, cuja ressecção (timectomia) é indicada.
Paciente de 35 anos, previamente hígido, desenvolve fraqueza simétrica e progressiva nos membros inferiores, com parestesias nos pés, duas semanas após um episódio de gastroenterite. O exame revela arreflexia generalizada (especialmente patelar e aquileu) e a fraqueza agora progride para os braços (paralisia ascendente). Qual é o diagnóstico?
Diagnóstico: Síndrome de Guillain-Barré (SGB).
Fisiopatologia (Step 1): A SGB é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda. É causada por uma reação autoimune (mimetismo molecular) frequentemente desencadeada por infecções (ex: Campylobacter jejuni, CMV, EBV). O sistema imune (anticorpos e macrófagos) ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos (produzida pelas células de Schwann), levando a um bloqueio de condução neural, o que causa a fraqueza motora ascendente e a arreflexia.
Manejo (Step 2): A prioridade absoluta é o monitoramento da função respiratória (Capacidade Vital Forçada - CVF e PIM/PEM), pois a insuficiência respiratória por paralisia diafragmática é a complicação mais temida e requer intubação. O diagnóstico é auxiliado pela análise do LCR (punção lombar), que classicamente mostra dissociação albuminocitológica (proteínas muito elevadas com contagem de células normal ou baixa). O tratamento é a plasmaférese ou a imunoglobulina intravenosa (IVIG). Corticosteroides NÃO são eficazes.
Homem de 62 anos, fumante pesado, queixa-se de dificuldade para subir escadas e levantar-se de cadeiras (fraqueza muscular proximal). Ele também relata boca seca, constipação e disfunção erétil. Notavelmente, ele refere que sua força parece “melhorar” brevemente nos primeiros segundos após repetir o movimento algumas vezes. O exame mostra reflexos tendíneos profundos diminuídos. Qual é a síndrome associada?
Diagnóstico: Síndrome Miastênica de Lambert-Eaton (LEMS).
Fisiopatologia (Step 1): A LEMS é frequentemente uma síndrome paraneoplásica (associada ao carcinoma de pulmão de pequenas células - SCLC). É causada por anticorpos autoimunes (IgG) contra os canais de cálcio dependentes de voltagem (VGCCs) na membrana pré-sináptica do neurônio motor. Isso impede a entrada de cálcio no terminal axonal, reduzindo a liberação de acetilcolina (ACh) na fenda sináptica. A estimulação repetitiva (exercício) causa um acúmulo transitório de cálcio intracelular, facilitando a liberação de ACh e causando a melhora temporária da força (facilitação). A disfunção autonômica (boca seca, etc.) ocorre pelo mesmo mecanismo nos gânglios autonômicos.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela eletromiografia (EMG), que mostra um potencial de ação muscular composto (CMAP) de baixa amplitude que aumenta significativamente (incremento > 100%) após estimulação repetitiva de alta frequência. O manejo primário é o rastreio e tratamento da neoplasia subjacente (SCLC), geralmente com TC de tórax. O tratamento sintomático inclui bloqueadores dos canais de potássio (ex: 3,4-Diaminopiridina) que prolongam a despolarização pré-sináptica, aumentando a liberação de ACh.
Paciente feminina de 45 anos relata início insidioso, ao longo de 3 meses, de fraqueza muscular simétrica e proximal. Ela tem dificuldade para pentear o cabelo, levantar os braços acima da cabeça e subir escadas. Ela não apresenta rash cutâneo. Exames laboratoriais mostram elevação acentuada de creatina quinase (CK) e aldolase. Qual é a etiologia inflamatória mais provável?
Diagnóstico: Polimiosite (PM).
Fisiopatologia (Step 1): A Polimiosite é uma miopatia inflamatória idiopática. O mecanismo central é a lesão muscular mediada por células T CD8+ citotóxicas. Essas células T invadem o endomísio (a camada de tecido conjuntivo que envolve as fibras musculares individuais) e atacam diretamente as fibras musculares que expressam antígenos MHC classe I em sua superfície. Isso leva à necrose da fibra muscular, liberação de enzimas (CK, aldolase) e fraqueza proximal.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é suspeitado clinicamente e pelos níveis de CK. Anticorpos específicos (ex: anti-Jo-1, associado à síndrome antissintetase) podem estar presentes. A ENMG mostra potenciais de unidade motora miopáticos (curta duração, baixa amplitude). O diagnóstico definitivo requer biópsia muscular, que mostra infiltrado inflamatório endomisial com invasão de fibras musculares não necróticas por células T CD8+. O tratamento de primeira linha são os corticosteroides (ex: Prednisona) em altas doses.
Homem de 70 anos, hipertenso e diabético, é trazido à emergência com início súbito, há 1 hora, de fraqueza total no braço e perna direitos (hemiplegia) e dificuldade para falar (disartria). O exame físico revela desvio da comissura labial para a esquerda (poupando a fronte direita), sinal de Babinski positivo à direita e hiperreflexia no membro superior direito. Qual é a causa desta fraqueza aguda?
Diagnóstico: Acidente Vascular Cerebral (AVC) Isquêmico (lesão de neurônio motor superior).
Fisiopatologia (Step 1): A fraqueza é resultado de uma lesão do neurônio motor superior (NMS), especificamente no trato corticoespinal esquerdo. Uma oclusão (ex: trombo, êmbolo) na artéria cerebral média (ACM) esquerda interrompe o fluxo sanguíneo para o córtex motor primário e a cápsula interna. Isso leva à isquemia e morte neuronal (infarto), interrompendo os sinais descendentes para os neurônios motores inferiores na medula espinhal, resultando em paralisia/paresia espástica contralateral (direita). Os sinais de NMS (hiperreflexia, Babinski, fraqueza piramidal) se desenvolvem após a fase aguda de “choque” medular.
Manejo (Step 2): A prioridade imediata é “tempo é cérebro”. Realizar uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste imediatamente para excluir hemorragia (AVC hemorrágico). Se a TC for negativa para sangramento, o paciente estiver dentro da janela terapêutica (ex: < 4,5 horas do início dos sintomas) e sem contraindicações, a trombólise intravenosa com ativador do plasminogênio tecidual (rtPA, Alteplase) é indicada. Em casos de oclusão de grande vaso (ex: ACM M1), a trombectomia mecânica pode ser considerada.
Homem de 55 anos apresenta fraqueza assimétrica que começou na mão direita (dificuldade para girar a chave), progredindo para o braço. Nos últimos meses, notou “contrações musculares” (fasciculações) no braço e dificuldade para engolir (disfagia). O exame físico revela atrofia muscular e fasciculações no membro superior direito, combinados com hiperreflexia e sinal de Babinski nos membros inferiores. Qual é a doença que causa essa combinação de achados?
Diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Fisiopatologia (Step 1): A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva fatal caracterizada pela morte dos neurônios motores superiores (NMS) no córtex motor (trato corticoespinal) e dos neurônios motores inferiores (NMI) no tronco cerebral e na medula espinhal (corno anterior). A perda de NMS causa espasticidade, hiperreflexia e sinal de Babinski (fraqueza “espástica”). A perda de NMI causa atrofia muscular, fasciculações e fraqueza flácida. A etiologia exata é desconhecida, mas pode envolver excitotoxicidade (glutamato) e agregados proteicos anormais (ex: TDP-43).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico (Critérios de El Escorial), baseado na presença de achados de NMS e NMI em múltiplos segmentos do corpo (ex: bulbar, cervical, torácico, lombossacral), com progressão da doença. A Eletroneuromiografia (ENMG) é crucial para confirmar a denervação generalizada (sinais de denervação aguda e crônica). O único fármaco que comprovadamente prolonga a sobrevida (modestamente) é o Riluzol (um inibidor da liberação de glutamato). O manejo é focado em suporte multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e ventilação não invasiva).
Paciente feminina de 30 anos relata diplopia e ptose palpebral que pioram ao final do dia, especialmente após ler ou assistir televisão. Ela refere que os sintomas melhoram significativamente após um cochilo. Qual é o diagnóstico mais provável baseado nesta flutuação diurna e fatigabilidade?
Diagnóstico: Miastenia Gravis (MG).
Fisiopatologia (Step 1): A MG é uma doença autoimune causada por anticorpos IgG contra receptores de acetilcolina (AChR) na placa motora pós-sináptica. O bloqueio e destruição dos receptores levam a um decréscimo na amplitude do potencial de placa motora durante a estimulação repetida, causando a fatigabilidade (exaustão neuromuscular).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela detecção de anticorpos anti-AChR ou pelo teste do gelo (ice pack test) positivo à beira do leito. O tratamento sintomático é feito com inibidores da acetilcolinesterase (ex: Piridostigmina). Investigar timoma (associado à MG) com TC de tórax é obrigatório.
Homem de 68 anos, hipertenso e diabético, apresenta início súbito, há 2 horas, de fraqueza completa no membro superior e inferior direitos, associada a desvio da rima labial para a esquerda e afasia de expressão. Qual é a etiologia mais provável para este quadro neurológico agudo e unilateral?
Diagnóstico: Acidente Vascular Cerebral (AVC) Isquêmico (provavelmente em território da Artéria Cerebral Média esquerda).
Fisiopatologia (Step 1): Uma oclusão vascular (trombo ou êmbolo) interrompe o fluxo sanguíneo para o córtex motor primário e/ou cápsula interna. A isquemia resultante causa morte neuronal (infarto) do neurônio motor superior (NMS), interrompendo o trato corticoespinal e resultando em paralisia espástica contralateral (direita).
Manejo (Step 2): Protocolo AVC. A prioridade imediata é uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste para excluir hemorragia. Se não houver sangramento e o paciente estiver na janela terapêutica (ex: < 4,5 horas do início dos sintomas), a trombólise intravenosa com ativador do plasminogênio tecidual (rtPA, Alteplase) é indicada.
Paciente feminina de 45 anos relata dificuldade progressiva, ao longo de 4 meses, para subir escadas e levantar os braços para pentear o cabelo. A fraqueza é simétrica, proximal e não há envolvimento facial ou flutuação diária. Exames laboratoriais mostram CK (Creatina Quinase) elevada. Qual é a etiologia?
Diagnóstico: Miopatia Inflamatória (ex: Polimiosite).
Fisiopatologia (Step 1): Na Polimiosite, ocorre uma invasão autoimune do endomísio por células T CD8+ citotóxicas, que atacam diretamente as fibras musculares que expressam MHC-I em sua superfície. Isso leva à necrose da fibra muscular, inflamação e liberação de enzimas musculares (CK, Aldolase), causando a fraqueza muscular proximal.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é suportado pela elevação da CK e ENMG (padrão miopático). A biópsia muscular confirma o diagnóstico (infiltrado endomisial). O tratamento de primeira linha é com corticosteroides (ex: Prednisona) em altas doses.
Paciente de 29 anos apresenta fraqueza simétrica que começou nas pernas e, em 3 dias, progrediu para os braços (paralisia ascendente), duas semanas após um quadro de gastroenterite. O exame físico é notável por arreflexia generalizada. Qual é o diagnóstico?
Diagnóstico: Síndrome de Guillain-Barré (SGB).
Fisiopatologia (Step 1): Trata-se de uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda. É uma reação autoimune (mimetismo molecular, frequentemente pós-infecção por Campylobacter jejuni) onde o sistema imune ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos (produzida pelas células de Schwann), levando a um bloqueio de condução nervosa e paralisia flácida ascendente.
Manejo (Step 2): A prioridade absoluta é o monitoramento da função respiratória (Capacidade Vital Forçada - CVF) devido ao risco iminente de paralisia diafragmática. O diagnóstico é auxiliado pela punção lombar (LCR), que classicamente mostra dissociação albuminocitológica (proteína muito alta, contagem de células normal ou baixa). O tratamento é com Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) ou Plasmaférese.
Homem de 60 anos, fumante pesado, queixa-se de fraqueza nas pernas (dificuldade para levantar da cadeira), boca seca e constipação. Ele nota que, embora se sinta fraco, os primeiros segundos de esforço parecem “melhorar” sua força momentaneamente (facilitação). Os reflexos tendíneos estão diminuídos. Qual é a síndrome?
Diagnóstico: Síndrome Miastênica de Lambert-Eaton (LEMS).
Fisiopatologia (Step 1): Frequentemente uma síndrome paraneoplásica (associada ao Câncer de Pulmão de Pequenas Células - SCLC). Anticorpos autoimunes atacam os canais de cálcio dependentes de voltagem (VGCCs) no terminal pré-sináptico, inibindo a liberação de acetilcolina (ACh). A estimulação repetitiva causa acúmulo de cálcio, facilitando a liberação de ACh e causando a melhora transitória da força (facilitação).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela ENMG (incremento do potencial de ação com estimulação repetitiva de alta frequência). O manejo exige rastreio agressivo da neoplasia oculta (TC de tórax). O tratamento sintomático pode ser feito com 3,4-Diaminopiridina (aumenta a liberação de ACh).
Paciente de 58 anos apresenta fraqueza assimétrica que começou na mão direita (dificuldade para usar chaves), progredindo para o braço. O exame revela atrofia muscular e fasciculações no membro superior direito (MSD), combinado com hiperreflexia e sinal de Babinski no membro inferior direito (MID). Qual é a doença que combina sinais de neurônio motor superior e inferior?
Diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Fisiopatologia (Step 1): A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que causa a morte tanto dos neurônios motores superiores (NMS) no córtex motor (resultando em espasticidade, hiperreflexia - esclerose lateral) quanto dos neurônios motores inferiores (NMI) no corno anterior da medula (resultando em atrofia muscular, fasciculações - amiotrófica).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é primariamente clínico (Critérios de El Escorial), suportado pela ENMG que demonstra denervação ativa e crônica em múltiplos segmentos. O único fármaco que comprovadamente prolonga a sobrevida (modestamente) é o Riluzol (um inibidor da liberação de glutamato). O manejo é focado em suporte multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, ventilação não invasiva).
Paciente de 25 anos apresenta-se com fraqueza simétrica, que começou nos pés e “subiu” para as pernas e coxas nas últimas 48 horas (progressão ascendente). Ele relata parestesias em luvas e botas. História revela um episódio de gastroenterite diarreica há duas semanas. Ao exame, apresenta arreflexia generalizada. Qual é o diagnóstico?
Diagnóstico: Síndrome de Guillain-Barré (SGB).
Fisiopatologia (Step 1): SGB é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda. Ocorre por mimetismo molecular, geralmente pós-infecção (notoriamente Campylobacter jejuni). O sistema imune (anticorpos e macrófagos) ataca a bainha de mielina dos nervos periféricos (produzida pelas células de Schwann), causando bloqueio de condução, paralisia flácida ascendente e arreflexia.
Manejo (Step 2): A prioridade imediata é o monitoramento da função respiratória (Capacidade Vital Forçada - CVF e PIM/PEM) devido ao risco de falência respiratória por paralisia diafragmática. A punção lombar (LCR) classicamente mostra dissociação albuminocitológica (proteína muito alta, células normais ou baixas). O tratamento é com Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) ou plasmaférese. Corticosteroides são ineficazes.
Paciente feminina de 32 anos apresenta-se com fraqueza na perna direita e neurite óptica (visão embaçada e dor no olho esquerdo). Ela relata um “evento prévio semelhante” há 3 anos, onde teve dormência do tronco que durou um mês e desapareceu. Qual é a etiologia mais provável para esta fraqueza com eventos neurológicos recorrentes?
Diagnóstico: Esclerose Múltipla (EM).
Fisiopatologia (Step 1): A EM é uma doença autoimune inflamatória e desmielinizante do Sistema Nervoso Central (SNC). Linfócitos T autorreativos atravessam a barreira hematoencefálica e atacam a bainha de mielina (produzida pelos oligodendrócitos) no cérebro, medula espinhal e nervo óptico. Isso forma “placas” de desmielinização, causando sintomas neurológicos (fraqueza, parestesia, neurite óptica) que são “disseminados no tempo e no espaço”.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito por Ressonância Magnética (RM) do cérebro e medula, que revela placas de desmielinização (ex: lesões periventriculares/dedos de Dawson). O LCR pode mostrar bandas oligoclonais de IgG. O tratamento do surto agudo é com altas doses de corticosteroides intravenosos (ex: Metilprednisolona). O tratamento modificador da doença (ex: Interferon-beta, Natalizumab) é usado para prevenir novos surtos.
Homem de 60 anos, com hiperlipidemia em tratamento, queixa-se de dor muscular progressiva (mialgia) e fraqueza proximal (dificuldade para subir escadas) que começou 2 meses após iniciar um “medicamento novo” para colesterol. O exame laboratorial revela uma Creatina Quinase (CK) de 8.000 U/L. Qual é o fator desencadeante mais provável?
Diagnóstico: Miopatia induzida por Estatina (medicamento novo).
Fisiopatologia (Step 1): As estatinas (inibidores da HMG-CoA redutase) podem causar toxicidade muscular. Embora o mecanismo exato seja complexo, acredita-se que envolva a depleção de intermediários da via do mevalonato (como a Coenzima Q10), levando à disfunção mitocondrial na célula muscular, instabilidade da membrana (sarcolema) e, em casos graves, rabdomiólise (necrose muscular).
Manejo (Step 2): O primeiro passo é suspender imediatamente a estatina. Deve-se avaliar a função renal (Ureia, Creatinina) e monitorar eletrólitos (risco de hipercalemia) devido à rabdomiólise (CK muito alta). A hidratação intravenosa vigorosa é essencial para prevenir a necrose tubular aguda (NTA) causada pela mioglobinúria. Os sintomas geralmente se resolvem após a suspensão do fármaco.
Paciente de 45 anos é internado na UTI por sepse de foco pulmonar. Após 3 dias de tratamento com antibióticos de amplo espectro e altas doses de corticosteroides, ele é extubado, mas permanece com fraqueza flácida generalizada, simétrica e profunda (tetraparesia), com dificuldade em desmamar da ventilação mecânica. Os reflexos tendíneos estão diminuídos. Qual é a complicação neuromuscular desencadeada pela doença crítica e medicamentos?
Diagnóstico: Miopatia do Doente Crítico (MDC).
Fisiopatologia (Step 1): A MDC é uma miopatia adquirida na UTI, frequentemente desencadeada por sepse, SIRS, falência de múltiplos órgãos e uso de medicamentos (especialmente corticosteroides e bloqueadores neuromusculares). Caracteriza-se por uma perda preferencial de filamentos grossos (miosina) nas fibras musculares tipo II, levando a uma atrofia aguda, necrose não inflamatória e disfunção contrátil muscular generalizada.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é suspeitado clinicamente (fraqueza no desmame da ventilação) e confirmado por Eletroneuromiografia (ENMG), que mostra potenciais de unidade motora (MUPs) miopáticos, e biópsia muscular (se necessário). O manejo principal é o tratamento da sepse subjacente, controle glicêmico rigoroso e suspensão/redução dos fatores desencadeantes (corticosteroides, BNM). A fisioterapia precoce é crucial.
Paciente de 38 anos é diagnosticado com Hipertireoidismo (Doença de Graves). Ele relata episódios súbitos de fraqueza muscular severa (paralisia flácida) nas pernas, geralmente ocorrendo pela manhã após uma refeição rica em carboidratos ou exercício intenso no dia anterior. Os exames durante a crise revelam hipocalemia severa (Potássio sérico de 2,2 mEq/L). Qual é o diagnóstico desta complicação?
Diagnóstico: Paralisia Periódica Tireotóxica (PPT).
Fisiopatologia (Step 1): A PPT é desencadeada pelo estado tireotóxico. O excesso de hormônio tireoidiano (T3/T4) aumenta a sensibilidade e a atividade da bomba de Na+/K+-ATPase nas membranas das células musculares. Fatores desencadeantes (como a liberação de insulina após carga de carboidratos) promovem um influxo rápido de potássio do plasma para dentro das células musculares, resultando em hipocalemia aguda e hiperpolarização da membrana muscular, tornando-a inexcitável (paralisia).
Manejo (Step 2): O tratamento da crise aguda é a reposição cuidadosa de potássio (KCl) intravenoso, monitorando rigorosamente o ECG e os níveis séricos (cuidado com o rebote de hipercalemia). O uso de propranolol (beta-bloqueador não seletivo) ajuda a prevenir novos ataques, pois diminui a atividade da Na+/K+-ATPase. O manejo definitivo é o tratamento do hipertireoidismo subjacente (ex: Metimazol, radioiodo ou tireoidectomia).
Paciente de 38 anos apresenta queixa de início insidioso de pálpebra caída (ptose) unilateral à direita e visão dupla (diplopia), que pioram ao final do dia e melhoram com o repouso. O exame físico demonstra ptose palpebral direita que melhora acentuadamente após a aplicação de uma bolsa de gelo sobre o olho por 2 minutos. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Miastenia Gravis (MG) - forma Ocular.
Fisiopatologia (Step 1): A MG é uma doença autoimune mediada por anticorpos (IgG) contra os receptores de acetilcolina (AChR) nicotínicos na placa motora pós-sináptica. O gelo (baixa temperatura) inibe a atividade da acetilcolinesterase (a enzima que degrada a ACh), aumentando a concentração de ACh na fenda sináptica e melhorando transitoriamente a transmissão neuromuscular e a força muscular (ptose).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela sorologia de anticorpos anti-AChR (mais comum) ou anti-MuSK. O tratamento sintomático inicial é feito com Piridostigmina (inibidor da acetilcolinesterase). Deve-se realizar TC de tórax em todos os pacientes para rastrear timoma, que, se presente, requer timectomia.
Paciente feminina de 50 anos relata dificuldade progressiva para engolir (disfagia), voz anasalada (disartria) e fadiga ao mastigar. Ao exame neurológico, observa-se fraqueza da mímica facial (dificuldade em fechar os olhos com força) e, ao pedir para ela dizer “Ah”, o palato mole eleva-se de forma assimétrica (“sinal da cortina”). Qual a etiologia provável desta fraqueza bulbar?
Diagnóstico: Miastenia Gravis (MG) - forma Generalizada com envolvimento Bulbar.
Fisiopatologia (Step 1): O envolvimento bulbar (nervos cranianos IX, X, XII) e facial (VII) resulta do ataque autoimune (anticorpos anti-AChR) aos receptores de acetilcolina na musculatura faríngea, laríngea, palatina e facial. A fadiga com o uso repetitivo (fala, mastigação) é a marca da doença. O “sinal da cortina” ocorre pela fraqueza unilateral do palato.
Manejo (Step 2): O envolvimento bulbar é um sinal de alerta para potencial crise miastênica (insuficiência respiratória). O manejo requer inibidores da acetilcolinesterase (Piridostigmina) e imunossupressão (ex: Prednisona, Azatioprina). Em crises agudas com insuficiência respiratória iminente, é mandatória a internação em UTI, plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa (IVIG).
Paciente de 66 anos, diabético tipo 2 de longa data, acorda com início súbito de diplopia e ptose completa do olho direito. Ao exame da motricidade ocular, o olho direito encontra-se desviado “para baixo e para fora” (down and out), com incapacidade de elevação, adução ou depressão. A pupila direita, no entanto, está reativa à luz (pupila-poupada). Qual é o diagnóstico?
Diagnóstico: Mononeuropatia Isquêmica do Nervo Oculomotor (NC III) (Paralisia de NC III poupando a pupila).
Fisiopatologia (Step 1): A microangiopatia diabética causa isquemia da vasa nervorum (vasos que suprem o nervo). Isso lesa as fibras motoras somáticas (localizadas centralmente no nervo), causando paralisia dos músculos reto medial, superior, inferior, oblíquo inferior e elevador da pálpebra (ptose). As fibras parassimpáticas (que causam miose) correm na periferia do nervo e são poupadas na isquemia (“pupila-poupada”).
Manejo (Step 2): O manejo é o controle rigoroso da glicemia e dos fatores de risco cardiovascular. A principal preocupação é diferenciar de uma causa compressiva (ex: aneurisma de artéria comunicante posterior), que tipicamente causa paralisia do NC III dolorosa e com pupila dilatada (midríase fixa), exigindo uma angio-TC ou angio-RM de urgência. A neuropatia diabética geralmente se resolve espontaneamente em 6-12 semanas.
Paciente de 59 anos, fumante pesado, apresenta fraqueza proximal (dificuldade para levantar da cadeira), ptose leve, boca seca (xerostomia) e constipação. Ao exame da mímica facial, sua força melhora transitoriamente após contrações repetidas (facilitação). Os reflexos tendíneos profundos estão abolidos. Qual é a síndrome paraneoplásica mais provável?
Diagnóstico: Síndrome Miastênica de Lambert-Eaton (LEMS).
Fisiopatologia (Step 1): A LEMS é causada por anticorpos contra os canais de cálcio dependentes de voltagem (VGCCs) na membrana pré-sináptica. Isso impede a entrada de cálcio no terminal axonal, reduzindo a liberação de acetilcolina (ACh) na fenda. A estimulação repetitiva (exercício) causa um acúmulo transitório de cálcio, facilitando a liberação de ACh e causando a melhora temporária da força (facilitação).
Manejo (Step 2): A LEMS é fortemente associada ao Carcinoma de Pulmão de Pequenas Células (SCLC). O manejo exige rastreio agressivo da neoplasia oculta (TC de tórax). O diagnóstico é confirmado pela ENMG (incremento do potencial de ação com estimulação repetitiva de alta frequência). O tratamento sintomático pode ser feito com 3,4-Diaminopiridina (aumenta a liberação de ACh).
Paciente de 68 anos, hipertenso, apresenta início súbito de fraqueza no braço e perna esquerdos. Ao exame, a avaliação de força muscular contra-resistência é grau 0/5 à esquerda. A avaliação de reflexos osteotendíneos mostra hiperreflexia patelar e bicipital à esquerda (3+). A pesquisa de reflexos patológicos revela um sinal de Babinski (cutâneo plantar extensor) à esquerda. O tônus está aumentado (espasticidade). Qual a localização da lesão?
Diagnóstico: Lesão de Neurônio Motor Superior (NMS) (ex: AVC isquêmico no trato corticoespinal direito).
Fisiopatologia (Step 1): A lesão do trato corticoespinal (NMS), que se origina no córtex motor, interrompe o comando voluntário e a inibição descendente sobre os neurônios motores inferiores (NMI) na medula. Isso causa paralisia contralateral (fraqueza). A perda da inibição descendente resulta em reflexos medulares exacerbados (hiperreflexia), aumento do tônus (espasticidade) e liberação de reflexos patológicos (Sinal de Babinski).
Manejo (Step 2): A prioridade imediata é uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico. Se for isquêmico e estiver na janela terapêutica (ex: < 4,5 horas), a trombólise com rtPA (Alteplase) é indicada. O manejo a longo prazo envolve reabilitação (fisioterapia para espasticidade) e prevenção secundária (ex: estatina, anti-hipertensivos, antiagregantes).
Paciente de 30 anos refere fraqueza progressiva ascendente há 3 dias. A avaliação de força muscular mostra fraqueza simétrica (grau 3/5) em membros inferiores e 4/5 em membros superiores. A avaliação de reflexos osteotendíneos revela arreflexia generalizada. A avaliação de tônus mostra hipotonia flácida e a avaliação de sensibilidade revela parestesias em luvas e botas. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Síndrome de Guillain-Barré (SGB) (Lesão de Neurônio Motor Inferior / Nervo Periférico).
Fisiopatologia (Step 1): A SGB é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, geralmente pós-infecciosa (mimetismo molecular). O ataque autoimune à bainha de mielina dos nervos periféricos (células de Schwann) interrompe o arco reflexo e a condução nervosa. Isso causa os sinais clássicos de lesão do NMI: fraqueza flácida (hipotonia), arreflexia e atrofia (trofismo diminuído, se crônico). O acometimento sensitivo (parestesias) também ocorre.
Manejo (Step 2): A prioridade absoluta é o monitoramento da função respiratória (Capacidade Vital Forçada - CVF), pois a paralisia ascendente pode atingir o diafragma. O diagnóstico é auxiliado pela punção lombar (LCR), que mostra dissociação albuminocitológica (proteína alta, células normais). O tratamento é com Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) ou plasmaférese.
Paciente de 58 anos queixa-se de fraqueza assimétrica iniciada na mão direita (dificuldade para escrever) e agora dificuldade para andar. O exame neurológico revela atrofia muscular e fasciculações (trofismo alterado) no braço direito, com reflexo bicipital abolido (0/4). Em contraste, os membros inferiores apresentam tônus aumentado (espasticidade) e a pesquisa de reflexos patológicos revela sinal de Babinski bilateral (cutâneo plantar extensor). Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Fisiopatologia (Step 1): A ELA é uma doença neurodegenerativa que causa a morte de ambos os neurônios motores. A degeneração do NMI (corno anterior da medula) causa os achados de NMI (atrofia, fasciculações, fraqueza flácida, hipo/arreflexia - vistos no braço). A degeneração do NMS (trato corticoespinal) causa os achados de NMS (espasticidade, hiperreflexia, sinal de Babinski - vistos nas pernas).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico (Critérios de El Escorial), baseado na presença de sinais de NMS e NMI em múltiplos segmentos corporais. A Eletroneuromiografia (ENMG) é crucial para confirmar a denervação generalizada. O único fármaco modificador da doença é o Riluzol (inibidor da liberação de glutamato). O manejo é focado em suporte multidisciplinar (ventilação não invasiva, gastrostomia, fonoaudiologia).