Perda de Consciência Flashcards

(62 cards)

1
Q

Mulher de 22 anos apresenta perda súbita de consciência após coleta de sangue. Relata que sentiu náuseas, sudorese fria e escurecimento visual segundos antes de desmaiar. O exame físico pós-evento é normal. Qual o diagnóstico mais provável?

A

Diagnóstico: Síncope Vasovagal (Neurocardiogênica).

Fisiopatologia (Step 1): Ocorre devido a um reflexo paradoxal (frequentemente o reflexo de Bezold-Jarisch) desencadeado por estresse emocional ou ortostase prolongada. A ativação mecânica vigorosa de um ventrículo com baixo volume estimula mecanorreceptores que enviam sinais ao tronco cerebral, resultando em inibição simpática abrupta (vasodilatação periférica causando hipotensão) e hiperativação parassimpática/vagal (causando bradicardia). A combinação leva à hipoperfusão cerebral global transitória.

Manejo (Step 2): O manejo é conservador e focado em educação da paciente e tranquilização (reassurance), pois é uma condição benigna. Deve-se instruir sobre manobras de contrapressão física (cruzar pernas, apertar as mãos) durante o pródromo para aumentar o retorno venoso e evitar o desmaio. O teste de inclinação (Tilt Table Test) é reservado apenas para casos recorrentes ou de dúvida diagnóstica, não sendo necessário neste quadro clássico.

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2
Q

Homem de 72 anos é trazido ao pronto-socorro após desmaiar subitamente enquanto estava sentado assistindo TV, sem pródromos (sem náusea ou tontura prévia). O paciente recuperou a consciência rapidamente, mas sofreu uma laceração facial na queda. Ele tem histórico de infarto do miocárdio prévio. Qual a etiologia mais preocupante que deve ser investigada imediatamente?

A

Diagnóstico: Síncope Cardíaca (Provável Arritmia Ventricular).

Fisiopatologia (Step 1): A ausência de pródromos e a ocorrência em repouso (sentado) sugerem uma causa mecânica ou elétrica súbita, e não um reflexo autonômico gradual. O mecanismo baseia-se na cessação abrupta ou redução crítica do débito cardíaco (ex: Taquicardia Ventricular sustentada ou bloqueio AV total), impedindo a perfusão cerebral adequada por tempo suficiente para causar perda do tônus postural e da consciência (Isquemia cerebral global transitória).

Manejo (Step 2): A prioridade imediata é a monitorização cardíaca contínua e a realização de um ECG de 12 derivações para buscar evidências de arritmia, bloqueios ou novas áreas de isquemia. Dada a história de IM prévio e a natureza súbita (sinal de alto risco), o paciente deve ser internado para investigação com monitoramento telemétrico (Holter 24h ou monitor de eventos) e Ecocardiograma para avaliar a fração de ejeção e anormalidades estruturais.

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3
Q

Paciente de 19 anos sofre perda de consciência durante um jogo de futebol. Testemunhas relatam que ele caiu sem tentar se proteger. Ao exame físico, nota-se um sopro sistólico crescendo-decrescendo que aumenta com a manobra de Valsalva. Qual é o diagnóstico estrutural subjacente?

A

Diagnóstico: Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH).

Fisiopatologia (Step 1): A mutação genética (geralmente em proteínas do sarcômero como a cadeia pesada da miosina beta) causa hipertrofia septal assimétrica. Durante o exercício, o aumento da contratilidade e a taquicardia (reduzindo o tempo de enchimento diastólico) aproximam o folheto anterior da valva mitral do septo hipertrofiado (Movimento Anterior Sistólico - SAM), gerando uma obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo. Isso causa uma queda abrupta no débito cardíaco e hipoperfusão cerebral sob demanda.

Manejo (Step 2): A conduta imediata envolve a restrição de atividades físicas competitivas e a avaliação para implante de Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) se houver fatores de alto risco (como história familiar de morte súbita ou síncope inexplicada). Farmacologicamente, utilizam-se betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridínicos (verapamil) para aumentar o tempo de enchimento diastólico e reduzir a contratilidade, diminuindo a obstrução dinâmica.

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4
Q

Mulher de 35 anos é encontrada inconsciente. Testemunhas descrevem movimentos tônico-clônicos por 2 minutos, seguidos por um período de confusão mental, sonolência e mialgia que durou 30 minutos. Havia mordedura lateral da língua. Qual o diagnóstico diferencial principal em relação à síncope?

A

Diagnóstico: Convulsão Generalizada (Tônico-Clônica).

Fisiopatologia (Step 1): Diferente da síncope (que é hipoperfusão), a convulsão resulta de uma descarga neuronal síncrona, excessiva e desordenada no córtex cerebral (falha na inibição GABAérgica ou excesso de excitação glutamatérgica). O estado pós-ictal (confusão prolongada) ocorre devido à exaustão metabólica neuronal e à depressão transitória do Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA) e do córtex após a tempestade elétrica.

Manejo (Step 2): O manejo agudo foca na estabilização (ABC), proteção contra traumas e administração de benzodiazepínicos se a crise persistir > 5 minutos. Para o diagnóstico diferencial retrospectivo, a presença de confusão pós-ictal, mordedura lateral da língua e incontinência urinária (embora esta possa ocorrer na síncope) favorecem fortemente convulsão. Deve-se solicitar neuroimagem (RM preferencialmente) e Eletroencefalograma (EEG) para classificar a epilepsia e iniciar anticonvulsivantes profiláticos se houver recorrência ou lesão estrutural.

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5
Q

Homem idoso relata episódios recorrentes de tontura e “quase desmaio” ao girar a cabeça para a esquerda ou ao barbear-se (pressionando o pescoço). Não há alterações cardíacas nos exames iniciais. Qual a fisiopatologia específica deste quadro?

A

Diagnóstico: Hipersensibilidade do Seio Carotídeo.

Fisiopatologia (Step 1): Ocorre devido a uma resposta exagerada dos barorreceptores localizados no seio carotídeo (na bifurcação da carótida comum). A estimulação mecânica leve é interpretada erroneamente como uma elevação severa da pressão arterial. O nervo glossofaríngeo (NC IX) envia sinais ao núcleo do trato solitário, resultando em uma resposta vagal excessiva (pausa sinusal/bloqueio AV) ou inibição simpática maciça (vasodilatação), levando à hipotensão e síncope.

Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela massagem do seio carotídeo sob monitorização eletrocardiográfica (proibido se houver sopro carotídeo ou AVC recente), observando-se assistolia > 3 segundos ou queda da PA sistólica > 50 mmHg. O tratamento definitivo para o componente cardioinibitório (bradicardia/pausa) é o implante de marca-passo definitivo.

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6
Q

Paciente diabético de longa data apresenta episódios de perda de consciência ao se levantar rapidamente da cama pela manhã. A PA supina é 140/80 mmHg e a PA em pé (após 3 min) é 110/70 mmHg. Qual o defeito fisiológico primário?

A

Diagnóstico: Hipotensão Ortostática (Disautonomia).

Fisiopatologia (Step 1): Em condições normais, a gravidade causa acúmulo venoso nos membros inferiores ao ficar em pé, reduzindo o retorno venoso. O reflexo barorreceptor compensa isso aumentando o tônus simpático (vasoconstrição periférica e taquicardia). Neste paciente, a neuropatia autonômica diabética danificou as fibras simpáticas eferentes, impedindo a vasoconstrição arteriolar e venosa necessária para manter a pressão de perfusão cerebral contra a gravidade.

Manejo (Step 2): A abordagem inicial é não-farmacológica: levantar-se lentamente, aumentar a ingesta de fluidos e sal (se não houver contraindicação severa), e uso de meias de compressão elástica. Deve-se revisar e suspender medicamentos hipotensores ou diuréticos se possível. Se as medidas comportamentais falharem, terapias farmacológicas como Fludrocortisona (expansor de volume) ou Midodrina (agonista alfa-1 adrenérgico) são indicadas para elevar a resistência vascular periférica.

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7
Q

Homem de 65 anos apresenta síncope enquanto exercitava o braço esquerdo (pintando o teto). Ao exame, a PA no braço direito é 140/80 e no braço esquerdo é 100/60. Há um sopro supraclavicular esquerdo. Qual o nome da síndrome e o mecanismo de “roubo”?

A

Diagnóstico: Síndrome do Roubo da Subclávia (Subclavian Steal Syndrome).

Fisiopatologia (Step 1): Existe uma estenose ou oclusão grave na artéria subclávia proximal (antes da origem da artéria vertebral). Quando o braço ipsilateral é exercitado, a vasodilatação muscular reduz a resistência vascular distal. Como o fluxo anterógrado pela estenose é insuficiente, o sangue inverte o sentido na artéria vertebral ipsilateral (fluindo do cérebro para o braço), “roubando” fluxo da circulação vertebrobasilar e causando isquemia do tronco cerebral (síncope, vertigem).

Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado por Ultrassonografia Doppler (demonstrando fluxo retrógrado na vertebral) ou Angiotomografia. O tratamento foca no controle agressivo dos fatores de risco para aterosclerose (estatinas, antiplaquetários, controle pressórico). A revascularização cirúrgica (bypass carótido-subclávio) ou endovascular (angioplastia com stent) é indicada apenas se o paciente for sintomático (apresentar síncope ou isquemia de membro) refratário ao tratamento clínico.

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8
Q

Um paciente relata um episódio de perda de consciência precedido imediatamente por uma sensação intensa de “déjà vu” e uma sensação desconfortável subindo do estômago (aura epigástrica). Testemunhas relatam que ele ficou com o olhar fixo e mastigando o ar antes de cair. Qual a localização anatômica do foco epileptogênico?

A

Diagnóstico: Epilepsia do Lobo Temporal (Crise Focal Disperceptiva).

Fisiopatologia (Step 1): Estes sintomas premonitórios (aura) não são pródromos autonômicos (como na síncope), mas sim a própria atividade ictal focal inicial. A sensação de déjà vu e as auras abdominais localizam a descarga neuronal aberrante nas estruturas do lobo temporal mesial, especificamente envolvendo a amígdala e o hipocampo (responsáveis pela memória e processamento emocional), antes de a descarga se generalizar.

Manejo (Step 2): O manejo exige investigação direcionada para lesões estruturais nesta região. A Ressonância Magnética (RM) de encéfalo com protocolo para epilepsia é o exame de escolha para buscar esclerose mesial temporal, tumores ou malformações vasculares. O EEG deve ser realizado, preferencialmente em privação de sono, para tentar capturar descargas epileptiformes temporais.

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9
Q

Um estudante de medicina desmaia após ver sangue. Durante os 20 segundos em que esteve inconsciente, apresentou abalos musculares (mioclonias) breves e desordenados nos braços. Acordou lúcido quase imediatamente. Qual é o diagnóstico e como diferenciar isso de uma crise tônico-clônica?

A

Diagnóstico: Síncope Convulsiva (Síncope Neurocardiogênica com mioclonias).

Fisiopatologia (Step 1): Diferente da epilepsia (hipersincronia cortical), os abalos na síncope ocorrem devido à desinibição do tronco cerebral (formação reticular) causada pela hipóxia cerebral transitória. A distinção fisiopatológica chave é que na síncope o mecanismo primário é a hipoperfusão global, enquanto na convulsão é a atividade elétrica cortical excessiva. A recuperação rápida da consciência (sem pós-ictal) confirma que o córtex não sofreu exaustão metabólica.

Manejo (Step 2): O raciocínio clínico deve evitar o erro comum de diagnosticar epilepsia apenas pela presença de movimentos. Não se deve iniciar anticonvulsivantes. O manejo é de suporte e tranquilização (reassurance), explicando que os movimentos foram reflexos da falta de oxigênio momentânea, e não uma doença neurológica.

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10
Q

Dois pacientes chegam ao PS após perda de consciência. Paciente A: Perda de consciência durou 30 segundos, acordou orientado. Paciente B: Perda de consciência durou 4 minutos, acordou confuso e agressivo por 20 minutos. Qual o significado clínico da “Duração” e do “Estado Pós-evento” no diagnóstico diferencial?

A

Diagnóstico: Paciente A sugere Síncope; Paciente B sugere Convulsão Generalizada.

Fisiopatologia (Step 1): A duração da inconsciência reflete o mecanismo de recuperação. Na síncope (A), assim que o fluxo sanguíneo é restaurado (decúbito horizontal), a função reticular retorna quase instantaneamente. Na convulsão (B), a atividade neuronal excessiva esgota as reservas de ATP e glicose e acumula lactato no tecido cerebral, levando a uma depressão prolongada da função cortical (estado pós-ictal) até a restauração da homeostase eletroquímica.

Manejo (Step 2): Para o Paciente B, a abordagem imediata envolve proteção de vias aéreas se o rebaixamento for severo e dosagem de glicemia capilar (descartar hipoglicemia). A persistência da confusão exige exclusão de estado de mal não-convulsivo ou lesão intracraniana (TC de crânio). Para o Paciente A, o foco muda para avaliação cardiovascular (ECG).

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11
Q

Paciente encontrado caído no banheiro com perda de consciência. O exame físico revela laceração na lateral da língua e evidência de liberação esfincteriana (urina). Não há relato de pródromos visuais ou sudorese. Esses achados físicos têm qual valor preditivo no diagnóstico?

A

Diagnóstico: Altíssima probabilidade de Crise Epiléptica Tônico-Clônica.

Fisiopatologia (Step 1): A mordedura lateral da língua é altamente específica (quase 100%) para convulsão tônico-clônica, ocorrendo devido à contração tônica vigorosa e assimétrica dos músculos da mastigação (masseter) enquanto a língua é projetada. A síncope pode causar incontinência urinária (pelo relaxamento esfincteriano), mas raramente causa mordedura de língua (e quando causa, é geralmente na ponta, devido à queda do queixo, não lateral).

Manejo (Step 2): Diante da alta especificidade desses achados, o manejo deve assumir etiologia neurológica/convulsiva mesmo se a história for pobre. Deve-se iniciar investigação para epilepsia (Neuroimagem + EEG) e considerar o início de terapia anticonvulsivante profilática se houver evidência de lesão estrutural ou se este for um segundo evento não provocado.

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12
Q

Homem de 70 anos apresenta “drop attacks” (quedas súbitas) sem tentar colocar as mãos para se proteger, resultando em traumas faciais graves repetidos. Ele nega náuseas, escurecimento visual ou dor abdominal antes da queda. O que a ausência de sintomas premonitórios e a gravidade do trauma indicam?

A

Diagnóstico: Síncope Cardíaca Súbita (Stokes-Adams).

Fisiopatologia (Step 1): A ausência total de pródromos (sintomas de aviso) indica que não houve ativação autonômica progressiva (como na síncope vasovagal). O corte de fluxo sanguíneo cerebral foi instantâneo, geralmente devido a uma arritmia ventricular maligna ou bloqueio atrioventricular total paroxístico. A gravidade do trauma facial ocorre porque a perda do tônus postural é tão rápida que os reflexos protetores motores não têm tempo de agir.

Manejo (Step 2): Este é o cenário de maior risco de mortalidade. O manejo exige internação imediata para monitorização cardíaca contínua, pois o risco de morte súbita é alto. Um ECG normal em repouso não exclui o diagnóstico; é mandatório prosseguir com Holter de longa duração, Ecocardiograma e, possivelmente, Estudo Eletrofisiológico ou implante de “Loop Recorder” se a causa permanecer obscura.

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13
Q

Paciente é trazido após perda de consciência. A família está convencida de que foi uma convulsão pois houve liberação esfincteriana (urina na roupa). No entanto, o paciente recuperou a consciência imediatamente após cair e não apresenta confusão mental. Qual o diagnóstico mais provável e o valor preditivo da incontinência urinária isolada?

A

Fisiopatologia (Step 1): A incontinência urinária ocorre devido ao relaxamento súbito do esfíncter externo da uretra pela perda do tônus cortical inibitório durante a inconsciência profunda. Embora seja comum em convulsões, ela pode ocorrer em síncopes profundas. A chave fisiopatológica aqui é a ausência de “tempestade elétrica” cortical seguida de exaustão (pós-ictal); a rápida reperfusão cerebral restaura a consciência e a orientação (diferente da convulsão), tornando a incontinência um sinal pouco específico quando isolado.

Manejo (Step 2): O manejo deve ser guiado pela recuperação do nível de consciência, não pela mancha de urina. Como o paciente está lúcido, evita-se a “cascata de diagnósticos neurológicos” desnecessários. Deve-se focar na avaliação hemodinâmica (PA ortostática, ECG) e tranquilizar a família explicando que o relaxamento muscular da bexiga foi um evento mecânico da síncope, e não uma crise epiléptica.

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14
Q

Mulher diabética em uso de insulina é encontrada inconsciente e diaforética (suando profusamente) às 11h da manhã, após pular o café da manhã. Ao recobrar a consciência após administração de glicose, ela não se lembra do evento. Qual o mecanismo celular da perda de consciência neste “fator desencadeante” (Jejum)?

A

Diagnóstico: Coma Hipoglicêmico (Neuroglicopenia).

Fisiopatologia (Step 1): O cérebro é estritamente dependente de glicose e não armazena glicogênio em quantidades significativas. Quando a glicemia cai (geralmente < 50 mg/dL), ocorre falha na bomba sódio-potássio e na produção de ATP neuronal. Isso desliga o Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA) e o córtex cerebral. A diaforese profusa prévia é causada pela descarga simpática (adrenalina) maciça tentando mobilizar glicogênio hepático (sinal de alerta adrenérgico).

Manejo (Step 2): O tratamento imediato é a administração de Dextrose a 50% IV (ou Glucagon IM se sem acesso). O ponto crítico do manejo a longo prazo é a revisão da farmacoterapia (redução de dose de insulina ou sulfonilureias) e educação alimentar, pois episódios repetidos de hipoglicemia severa podem causar “hypoglycemia unawareness” (perda dos sintomas de alerta adrenérgico), aumentando o risco de morte súbita ou lesão cerebral permanente.

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15
Q

Recruta militar desmaia enquanto permanecia em posição de sentido sob sol forte por 2 horas. Ele recuperou a consciência assim que caiu. Qual o papel do “calor” e da “imobilidade” na fisiopatologia deste evento?

A

Diagnóstico: Síncope pelo Calor (Heat Syncope) com componente ortostático.

Fisiopatologia (Step 1): A exposição ao calor causa vasodilatação cutânea maciça para dissipação térmica, desviando sangue do núcleo central para a periferia. A imobilidade prolongada elimina a “bomba muscular da panturrilha”, essencial para o retorno venoso contra a gravidade. Essa combinação reduz drasticamente a pré-carga ventricular direita e esquerda, diminuindo o débito cardíaco a ponto de a pressão de perfusão cerebral cair abaixo do limiar de autorregulação.

Manejo (Step 2): O tratamento é a remoção para ambiente fresco, resfriamento passivo e reposição volêmica oral (isotônicos) ou IV se houver sinais de desidratação severa. Não são necessários exames complexos se o exame neurológico for normal. A prevenção envolve aclimatização ao calor e instrução para manter hidratação e contração isométrica das pernas durante a ortostase prolongada.

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16
Q

Adolescente de 16 anos tem sua primeira convulsão tônico-clônica generalizada após uma noite sem dormir. Ao colher a história da infância/adolescência, a mãe relata que ele costuma derrubar a escova de dentes ou a caneca de leite pelas manhãs devido a “choques” nos braços. Qual síndrome epiléptica isso sugere?

A

Diagnóstico: Epilepsia Mioclônica Juvenil (EMJ).

Fisiopatologia (Step 1): É uma epilepsia generalizada idiopática com forte componente genético (poligênico). Caracteriza-se por descargas ponta-onda polissipiculares generalizadas de 4-6 Hz. Os “choques” matinais são crises mioclônicas (abalos musculares súbitos e breves sem perda de consciência) que frequentemente precedem a crise tônico-clônica generalizada (o evento sentinela) e são classicamente desencadeadas por privação de sono, álcool ou estresse.

Manejo (Step 2): O reconhecimento desse padrão histórico (“clumsiness” ou desajeitamento matinal na infância/adolescência) é crucial pois define o tratamento. O Ácido Valproico é o fármaco de primeira escolha (altamente eficaz). Deve-se evitar carbamazepina ou fenitoína, que podem piorar as mioclonias. O aconselhamento sobre higiene do sono e abstinência alcoólica é tão importante quanto a medicação.

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17
Q

Paciente apresenta síncopes recorrentes (eventos reentrantes) desde a infância, sempre desencadeadas por sustos auditivos (despertador, telefone tocando) ou emoção intensa. O ECG de repouso mostra intervalo QT corrigido de 520ms. Qual o risco letal associado a este diagnóstico?

A

Diagnóstico: Síndrome do QT Longo Congênito.

Fisiopatologia (Step 1): Mutações nos canais iônicos cardíacos (geralmente canais de potássio retificadores lentos, KCNQ1 ou KCNH2) prolongam a fase de repolarização ventricular (fase 3 do potencial de ação). Isso cria uma janela de vulnerabilidade onde uma despolarização precoce (EAD - early afterdepolarization), desencadeada pelo tônus simpático do susto, pode atingir o ventrículo ainda não totalmente repolarizado, precipitando uma taquicardia ventricular polimórfica (Torsades de Pointes).

Manejo (Step 2): O manejo é agressivo devido ao risco de morte súbita. Beta-bloqueadores (como Nadolol ou Propranolol) são a terapia de primeira linha para reduzir o gatilho adrenérgico. O implante de Cardiodesfibrilador (CDI) é indicado para pacientes que sobreviveram a uma parada cardíaca ou que têm síncopes recorrentes apesar da medicação. Todos os familiares de primeiro grau devem ser rastreados com ECG.

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18
Q

Durante a avaliação pós-evento de perda de consciência, nota-se uma laceração profunda na borda lateral direita da língua. Por que este achado anatômico específico tem alta especificidade para convulsão em detrimento da síncope?

A

Diagnóstico: Convulsão Tônico-Clônica Generalizada.

Fisiopatologia (Step 1): Durante a fase tônica da convulsão, ocorre contração sustentada e violenta de toda a musculatura esquelética, incluindo o músculo masseter (responsável pelo fechamento da mandíbula). Frequentemente, a língua é empurrada lateralmente pela contração assimétrica dos músculos genioglosso/estiloglosso no momento exato em que a mandíbula se fecha com força extrema, causando a laceração lateral. Na síncope, se houver mordedura (raro), ela tende a ser na ponta da língua devido ao impacto do queixo contra o chão na queda (mecanismo passivo), não por contração muscular ativa.

Manejo (Step 2): A presença de mordedura lateral eleva drasticamente a probabilidade pré-teste de epilepsia. Mesmo que o paciente negue histórico prévio, esse sinal físico justifica a realização de Neuroimagem (para descartar foco estrutural) e EEG. Se a história for inconclusiva, a mordedura lateral serve como um forte marcador “duro” para diferenciar de síncope psicogênica ou vasovagal.

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19
Q

Um paciente sofre um AVC isquêmico extenso afetando todo o território da artéria cerebral média direita. Apesar da hemiplegia esquerda grave, o paciente permanece perfeitamente alerta e consciente. Por que esta lesão cerebral massiva não causou perda de consciência (coma/síncope)?

A

Diagnóstico: Preservação do Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA) e do Hemisfério Contralateral.

Fisiopatologia (Step 1): A consciência humana depende anatomicamente de duas estruturas: o tronco encefálico (onde reside o SARA, responsável pelo “despertar”) e o córtex cerebral (responsável pelo “conteúdo”). Para haver perda de consciência, é necessário lesionar o SARA (tronco) OU ambos os hemisférios cerebrais simultaneamente. Uma lesão cortical unilateral, por maior que seja, não causa coma ou síncope, pois o hemisfério remanescente e o tronco mantêm a vigília.

Manejo (Step 2): Clinicamente, isso ajuda a diferenciar AVC de Síncope/Pós-ictal. Se um paciente está inconsciente, não procure por sinais focais unilaterais sutis inicialmente; procure por sinais de tronco (pupilas, reflexo oculocefálico) ou causas tóxico-metabólicas que afetem o cérebro difusamente. Se houver “perda de consciência” com sinais focais unilaterais, suspeite de oclusão da Artéria Basilar (afetando o tronco) ou hemorragia catastrófica, e não um AVC hemisférico simples.

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20
Q

Um homem jovem relata que, ao rir intensamente de uma piada, perdeu subitamente a força nas pernas e caiu. Ele afirma que ouvia tudo ao seu redor e estava lúcido durante a queda, mas não conseguia se mexer. Qual o diagnóstico e a deficiência neuroquímica associada?

A

Diagnóstico: Cataplexia (Associada à Narcolepsia Tipo 1).

Fisiopatologia (Step 1): A cataplexia não é uma síncope (pois não há hipoperfusão) nem uma convulsão. É a intrusão patológica da atonia muscular do sono REM durante a vigília, desencadeada por emoções positivas fortes. A causa base é a destruição autoimune dos neurônios produtores de Orexina (Hipocretina) no hipotálamo lateral, que normalmente estabilizam os estados de vigília e impedem essa intrusão do REM.

Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico, mas confirmado por Polissonografia e Teste de Latências Múltiplas do Sono (MSLT). O tratamento farmacológico envolve inibidores da recaptação de serotonina/noradrenalina (como Venlafaxina) que suprimem o sono REM (e portanto a atonia), ou o uso de Oxibato de Sódio (depressor do SNC) para consolidar o sono noturno.

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21
Q

Mulher de 25 anos é trazida por “desmaios” frequentes e prolongados (10 a 20 minutos) que ocorrem sempre diante de público. Durante o evento, ela mantém os olhos fechados com força e resiste ativamente à tentativa do médico de abrir suas pálpebras. O EEG durante o evento é normal (ritmo alfa posterior). Qual o diagnóstico?

A

Diagnóstico: Crise Não-Epiléptica Psicogênica (CNEP ou “Pseudocris”).

Fisiopatologia (Step 1): Trata-se de um Transtorno Conversivo (funcional). Não há descarga neuronal epileptiforme nem hipoperfusão cerebral. O sinal dos olhos fechados com resistência é altamente específico: na síncope e na convulsão verdadeira, os olhos tendem a ficar abertos ou entreabertos, e a musculatura palpebral está relaxada (síncope) ou contrai-se ritmicamente (convulsão), mas não oferece resistência proposital (“o corpo não mente, mas o inconsciente protege”).

Manejo (Step 2): O manejo exige empatia e firmeza. Não se deve administrar benzodiazepínicos ou anticonvulsivantes (risco de iatrogenia e reforço do comportamento). A comunicação do diagnóstico deve ser positiva: “A boa notícia é que não é epilepsia nem problema cardíaco; é uma resposta do seu corpo ao estresse”. O tratamento é Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

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22
Q

Um paciente com estenose aórtica grave apresenta síncope durante o esforço físico. Considerando a definição de “hipoperfusão global”, qual é o mecanismo hemodinâmico exato que impede o cérebro de receber sangue neste cenário?

A

Diagnóstico: Síncope por Baixo Débito Cardíaco (Obstrução Fixa).

Fisiopatologia (Step 1): Durante o exercício, ocorre vasodilatação muscular periférica (redução da Resistência Vascular Periférica). Um coração normal compensaria aumentando o Débito Cardíaco (DC). Na estenose aórtica, a obstrução fixa da via de saída impede o aumento do DC. A fórmula PA = DC x RVP torna-se fatal: o DC é fixo e a RVP cai. O resultado é uma queda abrupta da Pressão Arterial média, incapaz de vencer a gravidade para perfundir o cérebro (globalmente).

Manejo (Step 2): Este é um sinal de alarme gravíssimo (sobrevida média < 3 anos sem tratamento). O manejo é a proibição imediata de esforço físico e encaminhamento para troca valvar aórtica (cirúrgica ou TAVI). O exame físico deve focar na busca do sopro sistólico ejetivo em foco aórtico com irradiação para carótidas e pulso “parvus et tardus”.

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23
Q

O conceito de “Síncope Convulsiva” descrita no fluxograma refere-se a abalos motores causados por hipoxia. Qual a diferença crucial no Eletroencefalograma (EEG) entre uma Síncope Convulsiva e uma Epilepsia durante o evento?

A

Diagnóstico: EEG na Síncope mostra “Ondas Lentas” ou “Achatamento”; na Epilepsia mostra “Polipontas”.

Fisiopatologia (Step 1): Na síncope convulsiva, a falta de oxigênio/glicose leva o córtex a “desligar”, o que aparece no EEG como ondas lentas difusas (delta) ou supressão da atividade (achatamento) — os abalos vêm da liberação do tronco cerebral sem controle cortical. Na epilepsia, o problema é excesso de energia elétrica: o EEG mostraria descargas de alta voltagem, pontas e ondas agudas hipersincrônicas.

Manejo (Step 2): A implicação prática é evitar tratar síncope convulsiva com anticonvulsivantes. Se o relato for de “desmaio -> pálido -> caiu -> tremeu por 5 segundos -> acordou”, trata-se como síncope (investigação cardíaca/vasovagal). O EEG interictal (fora da crise) geralmente é normal em ambos, por isso a história clínica (sequência de eventos) é superior ao exame complementar isolado.

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Q

Uma testemunha relata que, durante o desmaio, o paciente permaneceu com os “olhos abertos e fixos”. Esse dado da história clínica exclui o diagnóstico de síncope em favor de uma crise epiléptica?

A

Diagnóstico: Não (Abertura ocular ocorre em ~76% das síncopes).

Fisiopatologia (Step 1): A perda de consciência na síncope é causada pela hipoperfusão do tronco cerebral e córtex. O tônus das pálpebras é mantido por complexas vias neurais; a inibição cortical súbita frequentemente resulta em uma “falha” no fechamento ativo das pálpebras (relaxamento incompleto do músculo orbicular), mantendo os olhos abertos ou em “olhar de peixe morto” (vidrado) devido à perda de fixação visual.

Manejo (Step 2): O médico não deve usar “olhos abertos” como discriminador para epilepsia. O foco deve ser o desvio do olhar: na síncope, o olhar geralmente é central ou para cima (fenômeno de Bell); na epilepsia, pode haver desvio lateral forçado e sustentado da cabeça e dos olhos (versão) apontando para o foco da lesão.

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Paciente recupera a consciência 20 segundos após cair no chão, mas apresenta incontinência urinária (calças molhadas). O residente sugere iniciar fenitoína assumindo ser uma convulsão. Por que a incontinência urinária isolada é um "falso cognato" neste diagnóstico?
Diagnóstico: Incontinência é comum na síncope (40%) e não específica para convulsão. Fisiopatologia (Step 1): Na síncope, a hipóxia cerebral transitória causa perda da inibição cortical sobre o centro pontino da micção, resultando em relaxamento passivo do esfíncter uretral externo. A diferença mecanística é que na convulsão pode haver contração ativa do detrusor somada ao relaxamento esfincteriano, mas o resultado visual (enurese) é idêntico. Manejo (Step 2): A conduta correta é ignorar a incontinência como fator isolado de decisão. Deve-se focar no tempo de recuperação da consciência. A recuperação rápida (< 30 segundos) e lúcida deste paciente aponta fortemente para síncope, contraindicando o uso de anticonvulsivantes.
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Durante um episódio de perda de consciência, o paciente apresenta "abalos musculares" (mioclonias) nos membros superiores. Qual a frequência desse achado na síncope e como diferenciá-lo clinicamente de uma crise tônico-clônica?
Diagnóstico: Muito frequente (até 90% das síncopes têm mioclonias esparsas). Fisiopatologia (Step 1): Estas são chamadas de mioclonias de liberação. O córtex cerebral normalmente inibe centros motores primitivos no tronco encefálico. Quando a perfusão cortical cessa, essa inibição some, e a formação reticular dispara sinais motores erráticos e breves. A diferença chave é o padrão: na síncope, os abalos são arritmicos, multifocais e breves (< 15 segundos); na convulsão, são rítmicos, síncronos, violentos e prolongados. Manejo (Step 2): Se os abalos ocorreram depois da queda e duraram pouco tempo, assume-se síncope convulsiva. Não requer tratamento neurológico. O manejo foca na causa hemodinâmica (vasovagal, cardíaca).
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Comparando Síncope e Convulsão Tônico-Clônica, qual é a diferença fundamental no tônus muscular durante a queda (o momento do impacto)?
Diagnóstico: Síncope causa Hipotonia (Flacidez); Convulsão causa Hipertonia (Rigidez). Fisiopatologia (Step 1): Na síncope, ocorre perda súbita do tônus postural (falência do trato reticuloespinal e vestíbulo-espinal), fazendo o paciente desabar "como um saco de batatas" (flácido). Na convulsão generalizada, a fase inicial é tônica (descarga excitatória maciça), deixando o paciente rígido como uma tábua antes de cair. Manejo (Step 2): Essa diferença dita o padrão de trauma. Pacientes com síncope frequentemente têm lacerações no queixo ou rosto (pois não protegem a queda e o pescoço não sustenta a cabeça). Pacientes com convulsão podem ter traumas em qualquer local, mas a rigidez pode causar fraturas ósseas (como vértebras ou ombros) pela própria contração muscular, além do impacto.
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Em um paciente com perda de consciência transitória, a ausência de confusão mental pós-ictal (recuperação total em < 30 segundos) tem qual valor diagnóstico?
Diagnóstico: Altamente sugestivo de Síncope. Fisiopatologia (Step 1): O cérebro funciona como uma lâmpada elétrica na síncope: cortou a energia (sangue), apaga; voltou a energia, acende imediatamente. Não há depleção de neurotransmissores. Na convulsão, o cérebro entra em "curto-circuito", esgotando glicose/ATP e acumulando lactato/adenosina, necessitando de minutos a horas para repolarizar e restaurar a homeostase (o período de confusão pós-ictal). Manejo (Step 2): Este é o discriminador clínico mais poderoso ("Gold Standard" clínico). Se o paciente acorda sabendo quem é e onde está em menos de 30 segundos, o manejo deve ser cardiovascular (ECG, Tilt Test, Ecocardiograma). Se o paciente permanece confuso por 10 minutos, o manejo é neurológico (TC de crânio, EEG).
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A mordedura de língua é descrita como "Rara" (4%) na síncope. Se presente, qual característica anatômica da mordedura sugere fortemente epilepsia ao invés de síncope?
Diagnóstico: Mordedura na borda lateral da língua. Fisiopatologia (Step 1): Na síncope, se houver mordedura (os 4%), ela geralmente ocorre na ponta da língua devido ao impacto passivo do queixo contra o chão (mecanismo de "guilhotina" pelo trauma). Na epilepsia, a mordedura é lateral devido à contração tônica assimétrica do músculo masseter desviando a língua para o lado antes do fechamento forçado. Manejo (Step 2): Ao examinar a cavidade oral pós-evento, uma lesão na ponta da língua é inespecífica (pode ser trauma da queda). Uma lesão na lateral da língua aumenta a probabilidade (Likelihood Ratio) de convulsão em mais de 15 vezes. Isso justifica iniciar investigação para epilepsia mesmo se a história da testemunha for vaga.
30
Um paciente é trazido com história de "desmaio". A esposa relata que, durante o evento, os olhos do marido permaneceram abertos e fixos (vidrados). Segundo as estatísticas clínicas, este achado favorece ou afasta o diagnóstico de crise epiléptica?
Diagnóstico: Favorece fortemente Epilepsia (Abertura ocular ocorre em ~97% dos casos). Fisiopatologia (Step 1): Durante a fase tônica e clônica, ocorre uma descarga excitatória maciça do sistema motor e do tronco encefálico, que inclui a ativação do músculo levantador da pálpebra superior e a inibição do reflexo de piscar. Diferente das crises psicogênicas (onde o fechamento ocular forçado é comum como mecanismo de defesa subconsciente), a crise epiléptica verdadeira impede o fechamento ocular passivo ou ativo devido à hipertonia ou perda de controle voluntário. Manejo (Step 2): O achado de olhos abertos é um discriminador útil contra "pseudocris" (psicogênica), mas não diferencia bem de síncope (que também cursa com olhos abertos em 76% dos casos). O manejo deve focar no desvio do olhar: se os olhos estiverem abertos e desviados forçadamente para um lado, isso sugere lesão focal ou foco epiléptico contralateral ao desvio (nos hemisférios) ou ipsilateral (se no tronco).
31
Um paciente chega ao PS após ser encontrado no chão. Ele apresenta uma luxação posterior do ombro e fratura por compressão de vértebra torácica, mas nenhuma lesão no queixo ou face. Qual o mecanismo fisiopatológico da queda que explica esse padrão de lesão específico?
Diagnóstico: Queda por Fase Tônica (Rigidez) de uma Crise Convulsiva. Fisiopatologia (Step 1): Diferente da síncope (onde há atonia/flacidez e o paciente cai pela gravidade), na convulsão ocorre uma contração muscular violenta e simultânea de agonistas e antagonistas (fase tônica) antes da queda. A luxação posterior do ombro ocorre porque os rotadores internos (latíssimo do dorso, peitoral maior) são mais fortes que os rotadores externos, "arrancando" o úmero da cavidade glenóide. A fratura vertebral ocorre pela contração intensa da musculatura paravertebral. Manejo (Step 2): A presença de luxação posterior de ombro ou fraturas inexplicadas em um paciente com "perda de consciência" é praticamente patognomônica de convulsão ou choque elétrico. O manejo ortopédico exige redução da luxação e, obrigatoriamente, investigação neurológica completa para epilepsia, mesmo que ninguém tenha testemunhado os abalos.
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Paciente com diagnóstico conhecido de epilepsia, bem controlado com medicação, apresenta uma "crise de escape" (breakthrough seizure). Ele relata estar estudando para provas finais (privação de sono) e tratando uma infecção urinária. Como estes fatores precipitam o evento a nível neuronal?
Diagnóstico: Redução do Limiar Convulsivo. Fisiopatologia (Step 1): O cérebro epiléptico possui um equilíbrio precário entre excitação (Glutamato) e inibição (GABA). Fatores como fadiga extrema, privação de sono, infecções sistêmicas (inflamação/citocinas) e febre alteram a excitabilidade da membrana neuronal e a disponibilidade de neurotransmissores, rebaixando o "teto" necessário para disparar uma despolarização síncrona anômala. Manejo (Step 2): O manejo imediato não requer necessariamente o aumento da dose do anticonvulsivante. A prioridade é tratar o fator desencadeante (antibióticos para a ITU, higiene do sono). Aumentar a medicação prematuramente pode levar a toxicidade. Só se ajusta a dose se as crises persistirem após a resolução do gatilho.
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Após um episódio de perda de consciência, o paciente permanece sonolento, desorientado e combativo por 45 minutos. A família pergunta se isso pode ter sido "apenas uma queda de pressão" (síncope). Qual a resposta baseada na fisiologia do "Pós-Ictal"?
Diagnóstico: Altíssima probabilidade de Crise Epiléptica (Pós-ictal > 2 min). Fisiopatologia (Step 1): A "Confusão Pós-Ictal" reflete a exaustão metabólica do córtex cerebral. Durante a crise, o consumo de oxigênio e glicose aumenta exponencialmente, superando a oferta. Ocorre acúmulo de lactato, acidose tecidual e depleção de ATP. Os neurônios entram em um estado de inibição protetora para recuperar a homeostase iônica. Na síncope, a reperfusão restaura a função quase imediatamente (< 30s) pois não houve gasto energético excessivo, apenas pausa no fornecimento. Manejo (Step 2): A duração da confusão é o melhor "relógio" diagnóstico. Diante de um pós-ictal de 45 minutos, o manejo é tratar como epilepsia até prova em contrário. Deve-se monitorar sinais vitais, proteger vias aéreas (risco de aspiração se rebaixamento severo) e investigar causas de estado pós-ictal prolongado (como hipoglicemia associada ou estado de mal não-convulsivo se a confusão não melhorar).
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A mordedura de língua é listada como presente em apenas 26% das crises epilépticas. O médico assistente descarta o diagnóstico de epilepsia porque o paciente "não mordeu a língua". Qual o erro de raciocínio estatístico (Sensibilidade vs. Especificidade) neste caso?
Diagnóstico: A mordedura de língua tem Alta Especificidade, mas Baixa Sensibilidade. Fisiopatologia (Step 1): A ausência de mordedura (sensibilidade de 26%) não exclui epilepsia, pois nem todas as crises envolvem a contração mandibular violenta no momento exato em que a língua está protusa. No entanto, a presença de mordedura (especialmente lateral) tem especificidade de ~96-100% para epilepsia. Manejo (Step 2): O raciocínio clínico correto é: "Se mordeu a lateral da língua, é quase certeza que é convulsão. Se não mordeu, ainda pode ser convulsão". Nunca descarte epilepsia baseando-se apenas na ausência de trauma oral. Utilize o conjunto de dados (confusão pós-ictal, pródromos, relato de testemunhas).
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Paciente recupera a consciência após uma convulsão tônico-clônica generalizada, mas apresenta incapacidade de mover o braço direito (hemiparesia). A TC de crânio inicial é normal. Após 24 horas, a força retorna completamente. Qual o nome deste fenômeno e sua implicação topográfica?
Diagnóstico: Paralisia de Todd (Paresia Pós-Ictal). Fisiopatologia (Step 1): É um déficit neurológico focal transitório que ocorre após uma crise focal (que pode ter generalizado secundariamente). Reflete a exaustão neuronal localizada na área do córtex motor onde a crise se originou ou foi mais intensa. A hipoatividade neuronal persiste devido à hiperpolarização pós-descarga. Manejo (Step 2): A importância clínica é dupla: 1) Confirma que a etiologia é epiléptica (e não síncope); 2) Localiza o foco epileptogênico (se a paresia é no braço direito, o foco está no córtex motor esquerdo). O manejo é observacional. Se o déficit persistir, deve-se repetir a imagem (RM) para descartar AVC ou tumor que causou a crise (a crise sendo o sintoma, não a causa).
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Um paciente adulto apresenta sua primeira crise convulsiva não provocada. A Tomografia (TC) de crânio na emergência foi normal. Por que é mandatório solicitar uma Ressonância Magnética (RM) de encéfalo no seguimento ambulatorial, em vez de confiar apenas na TC?
Diagnóstico: A RM é superior na detecção de lesões epileptogênicas sutis (Padrão Ouro). Fisiopatologia (Step 1): A TC utiliza raios-X e é excelente para ver sangue agudo (hemorragia) ou calcificações, mas tem baixa resolução para tecidos moles. A RM, através de campos magnéticos e pulsos de radiofrequência, consegue diferenciar substância branca de cinzenta com precisão, identificando displasias corticais focais, esclerose mesial temporal (no hipocampo) e pequenos tumores de baixo grau (gliomas) que são invisíveis na TC. Manejo (Step 2): Se a TC é normal na emergência (excluindo risco de vida imediato), o paciente deve ser encaminhado para RM eletiva com protocolo específico para epilepsia (cortes finos coronais em T2/FLAIR perpendiculares ao eixo do hipocampo) para definir a etiologia estrutural e prognóstico cirúrgico.
37
Paciente com história testemunhada confiável de crise tônico-clônica generalizada realiza um Eletroencefalograma (EEG) de rotina (20 minutos) que vem laudado como "Normal". O residente sugere que o evento foi psicogênico baseando-se no laudo. Qual o erro de interpretação?
Diagnóstico: O EEG interictal (entre crises) tem baixa sensibilidade (~50% na primeira amostra). Fisiopatologia (Step 1): O EEG registra a atividade elétrica cortical superficial naquele momento exato. Se o paciente não estiver tendo uma crise ou descargas interictais durante os 20 minutos do exame, o traçado será normal. A epilepsia é uma doença de predisposição, não de atividade contínua. Um EEG normal NÃO exclui epilepsia. Manejo (Step 2): O diagnóstico de epilepsia é primariamente clínico. Diante de um EEG normal com alta suspeita clínica, deve-se solicitar um EEG em privação de sono (o estresse do sono aumenta a chance de capturar descargas) ou monitorização prolongada (Vídeo-EEG). Nunca retirar o diagnóstico baseado apenas em um exame normal.
38
Um paciente alcoólatra crônico é trazido ao PS em crise convulsiva 48 horas após parar de beber. O exame toxicológico é negativo para drogas ilícitas. Qual o mecanismo fisiopatológico desta crise e qual a implicação para os exames laboratoriais?
Diagnóstico: Crise de Abstinência Alcoólica (Delirium Tremens / Withdrawal). Fisiopatologia (Step 1): O álcool é um depressor do SNC (agonista GABAérgico). O uso crônico leva a uma down-regulation (diminuição) dos receptores GABA (inibitórios) e up-regulation (aumento) dos receptores NMDA (excitatórios) para compensar a sedação constante. A retirada abrupta do álcool remove a inibição, deixando um sistema "super-excitado" sem freio, precipitando a crise. Manejo (Step 2): O exame laboratorial deve focar em distúrbios hidroeletrolíticos associados (Hipomagnesemia e Hipocalemia são comuns em alcoólatras e baixam o limiar convulsivo). O tratamento é com Benzodiazepínicos (para substituir o efeito do álcool nos receptores GABA) e reposição de Tiamina (antes da glicose) para prevenir Encefalopatia de Wernicke. Não se usa fenitoína para abstinência.
39
Uma mulher jovem chega em estado de mal epiléptico. A família nega histórico de epilepsia, mas relata que ela tem Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e nefrite. Os exames laboratoriais mostram Ureia 180 e Creatinina 6.0. Qual é a causa da crise?
Diagnóstico: Encefalopatia Urêmica (Causa Metabólica / Provocada). Fisiopatologia (Step 1): A insuficiência renal aguda leva ao acúmulo de toxinas urêmicas (como o ácido guanidinosuccínico) que são inibidores do GABA e agonistas do NMDA. Além disso, a uremia compromete a barreira hematoencefálica e causa desequilíbrios osmóticos. Trata-se de uma crise sintomática aguda, não de epilepsia (doença cerebral intrínseca). Manejo (Step 2): A prioridade não é iniciar anticonvulsivantes de longo prazo, mas sim realizar Diálise de emergência para remover as toxinas. Anticonvulsivantes podem ser usados temporariamente para abortar a crise, mas o ajuste de dose para a função renal é crítico para evitar intoxicação iatrogênica.
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Um paciente é trazido em coma pós-ictal. Na investigação de "Causas Reversíveis", a glicemia capilar é 35 mg/dL. Por que a hipoglicemia severa causa convulsão e, em seguida, silêncio elétrico (coma)?
Diagnóstico: Neuroglucopenia. Fisiopatologia (Step 1): Neurônios não armazenam glicose e dependem de fornecimento contínuo para manter as bombas de íons (Na+/K+ ATPase) que geram o potencial de membrana. A falha energética inicial causa despolarização instável (convulsão). Se a hipoglicemia persiste, ocorre falência completa da membrana e morte neuronal excitotóxica, levando ao silêncio elétrico e coma profundo. Manejo (Step 2): Este é o exame "laboratorial" mais urgente (à beira leito). Administração imediata de Glicose hipertônica IV. Se houver suspeita de alcoolismo associado, administrar Tiamina concomitantemente. Diferenciar isso é vital, pois a hipoglicemia recorrente causa lesão cerebral cortical laminar irreversível.
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Jovem de 25 anos apresenta primeira crise convulsiva tônico-clônica. Exame neurológico e TC normais. O hemograma mostra leucocitose leve e CPK (Creatina Fosfoquinase) de 800 U/L. O que a elevação da CPK indica neste contexto?
Diagnóstico: Confirmação retrospectiva de crise convulsiva verdadeira (Rabdomiólise). Fisiopatologia (Step 1): A atividade muscular tônico-clônica intensa e descontrolada causa quebra das fibras musculares esqueléticas (rabdomiólise), liberando CPK e mioglobina na circulação. Na síncope ou na crise psicogênica, não há intensidade muscular suficiente para elevar significativamente a CPK. Manejo (Step 2): A CPK elevada ajuda a diferenciar crise epiléptica verdadeira de pseudocris, com pico ocorrendo cerca de 24-48h após o evento. Clinicamente, deve-se hidratar vigorosamente o paciente para prevenir lesão renal aguda por nefropatia por pigmento (mioglobina obstruindo túbulos renais).
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Paciente de 25 anos apresenta síncope súbita sem pródromos. O ECG de repouso revela intervalo PR curto (< 120ms) e uma onda Delta (empastamento inicial do complexo QRS). Qual o substrato anatômico desta condição e por que ela causa síncope?
Diagnóstico: Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW). Fisiopatologia (Step 1): Existe uma via acessória congênita (Feixe de Kent) que contorna o nó Atrioventricular (AV). Como essa via não possui o atraso fisiológico do nó AV, o ventrículo é pré-excitado (onda Delta). A síncope ocorre quando se forma um circuito de reentrada atrioventricular (taquicardia supraventricular) ou, mais gravemente, quando uma Fibrilação Atrial é conduzida rapidissimamente pela via acessória (1:1), degenerando para Fibrilação Ventricular. Manejo (Step 2): A identificação deste padrão no ECG de um paciente sintomático (síncope) exige encaminhamento para Estudo Eletrofisiológico e Ablação por Radiofrequência da via acessória. O uso de bloqueadores do nó AV (adenosina, verapamil, digoxina) é contraindicado na FA pré-excitada, pois favorece a condução pela via acessória perigosa.
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Um idoso com sopro sistólico ejetivo rude no foco aórtico apresenta síncope recorrente aos esforços. Por que o Ecocardiograma é o exame mandatório (Padrão Ouro) antes de qualquer teste de esforço?
Diagnóstico: Estenose Aórtica Crítica (Diagnóstico Estrutural). Fisiopatologia (Step 1): A calcificação e imobilidade dos folhetos aórticos criam uma obstrução fixa à saída do ventrículo esquerdo. Em repouso, o débito cardíaco é mantido às custas de altíssimas pressões intraventriculares. No esforço, a vasodilatação periférica exige aumento do débito, que o coração obstruído não consegue entregar. A queda abrupta da pressão de perfusão cerebral causa a síncope. Manejo (Step 2): O ecocardiograma quantifica a área valvar (grave se < 1.0 cm²) e o gradiente transvalvar. Identificar isso é vital porque o Teste Ergométrico é contraindicado em estenose aórtica grave sintomática (risco de morte súbita no exame). A conduta é a troca valvar (Cirúrgica ou TAVI).
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Paciente relata palpitações seguidas de síncope, mas o ECG de 12 derivações na emergência é perfeitamente normal. Qual é a limitação fisiológica do ECG padrão e qual a indicação do Holter de 24h?
Diagnóstico: Arritmia Paroxística (Intermitente). Fisiopatologia (Step 1): O ECG padrão registra apenas 10 segundos de atividade cardíaca. Arritmias reentrantes (como TV não sustentada ou TPSV) ou distúrbios de condução intermitentes (Bloqueio AV de alto grau paroxístico) podem não estar presentes naquele "flash" temporal. O mecanismo da síncope é uma pausa na perfusão cerebral > 6-8 segundos. Manejo (Step 2): O Holter estende a "janela de observação" para 24-48h, aumentando a sensibilidade para eventos diários. Se a síncope for muito esporádica (ex: mensal), o Holter ainda será insuficiente, sendo indicado o "Loop Recorder" implantável (monitor de eventos) que pode ficar por anos.
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Mulher de 45 anos apresenta síncope que ocorre exclusivamente quando ela muda de posição na cama ou se inclina para frente. Ao exame físico, ausculta-se um "plop" diastólico seguido de sopro. O que o Ecocardiograma deve buscar especificamente?
Diagnóstico: Mixoma Atrial (Tumor Cardíaco Primário). Fisiopatologia (Step 1): O mixoma é uma massa gelatinosa pedunculada, geralmente localizada no átrio esquerdo. Dependendo da gravidade e da posição do corpo, o tumor pode se mover e ocluir transitoriamente a valva mitral (obstrução da via de entrada), impedindo o enchimento ventricular e causando colapso hemodinâmico súbito ("síncope posicional"). O "plop" é o som do tumor atingindo a valva/parede. Manejo (Step 2): O ecocardiograma confirma o diagnóstico visualizando a massa móvel no átrio. Devido ao risco de síncope fatal e, principalmente, de embolização sistêmica de fragmentos do tumor (causando AVC), o tratamento é a ressecção cirúrgica imediata.
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Paciente sofre síncopes repetidas ao virar o pescoço ou olhar para cima. O médico solicita um USG Doppler de Carótidas e Vertebrais. Além de placas de ateroma, qual alteração de fluxo específica nas artérias vertebrais confirmaria a "Síndrome do Roubo"?
Diagnóstico: Fluxo Retrógrado (Invertido) na Artéria Vertebral. Fisiopatologia (Step 1): Na Síndrome do Roubo da Subclávia, há uma estenose proximal na artéria subclávia. Quando o braço ipsilateral é usado, a pressão distal cai abaixo da pressão intracraniana. O sangue flui "para trás" (do Polígono de Willis, descendo pela vertebral, para o braço), roubando fluxo do tronco cerebral e causando insuficiência vertebrobasilar (síncope/tontura). Manejo (Step 2): O Doppler é o exame de triagem ideal para visualizar a inversão de fluxo. A confirmação anatômica pode exigir Angio-TC ou Angiografia. O manejo envolve revascularização (stent ou bypass) se os sintomas forem incapacitantes.
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Jovem atleta tem morte súbita abortada em campo. O ECG mostra ondas Q profundas em derivações laterais e hipertrofia ventricular esquerda (HVE). O Ecocardiograma mostra septo interventricular com espessura de 25mm (muito aumentado). Qual a fisiopatologia da obstrução nesta doença genética?
Diagnóstico: Cardiomiopatia Hipertrófica (Obstrutiva). Fisiopatologia (Step 1): O septo hipertrofiado obstrui a via de saída do VE. O mecanismo crítico é o Movimento Anterior Sistólico (SAM) da valva mitral: o fluxo acelerado pelo estreitamento septal "suga" o folheto anterior da mitral (Efeito Venturi) em direção ao septo, bloqueando a saída da aorta e causando regurgitação mitral concomitante. Isso gera isquemia cerebral aguda sob esforço. Manejo (Step 2): O manejo visa evitar a desidratação e reduzir a contratilidade cardíaca (Beta-bloqueadores são 1ª linha) para diminuir o gradiente obstrutivo. É proibido o uso de vasodilatadores puros ou diuréticos (que pioram a obstrução). O implante de CDI é indicado para prevenção de morte súbita.
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Uma paciente jovem é trazida ao PS com "convulsões" que já duram 30 minutos. Durante o exame, observa-se que ela movimenta a cabeça de um lado para o outro (movimento de "não-não") e apresenta impulsos pélvicos. Qual a etiologia sugerida por esse padrão motor específico?
Diagnóstico: Crise Não-Epiléptica Psicogênica (CNEP). Fisiopatologia (Step 1): As crises epilépticas generalizadas seguem vias anatômicas estereotipadas, resultando em movimentos síncronos e rítmicos. Movimentos assíncronos (braços se movendo fora de fase), balançar a cabeça lateralmente ("side-to-side") e movimentos pélvicos são comportamentos motores complexos que requerem coordenação cortical funcional, incompatível com a hipersincronia caótica de uma crise tônico-clônica verdadeira. Manejo (Step 2): Evitar a "cascata de intervenção". Não intubar e não administrar altas doses de benzodiazepínicos se a saturação de oxigênio estiver normal e a paciente mantiver corada (ausência de cianose/apneia). A conduta é a observação e proteção contra traumas até o evento cessar, seguido de encaminhamento para Vídeo-EEG.
49
Durante uma suposta crise tônico-clônica, o médico tenta abrir os olhos do paciente para avaliar as pupilas, mas encontra forte resistência ativa das pálpebras (olhos espremidos). Qual o valor diagnóstico do "Sinal dos Olhos Fechados"?
Diagnóstico: Alta especificidade para Evento Psicogênico. Fisiopatologia (Step 1): Na epilepsia tônico-clônica, ocorre uma descarga excitatória maciça que sobrepuja o controle voluntário; os olhos tendem a permanecer abertos e fixos, ou desviados. O fechamento forçado com resistência à abertura passiva indica a preservação de reflexos de proteção ou evitação subconsciente, característico de transtornos conversivos (funcionais), onde "o corpo não mente, mas a mente protege". Manejo (Step 2): Este sinal ajuda a evitar iatrogenia. O diagnóstico é clínico, mas a confirmação padrão-ouro é o Vídeo-EEG, que demonstrará ausência de atividade ictal (descargas elétricas) concomitante ao comportamento de resistência. O tratamento é a suspensão gradual de anticonvulsivantes (que não funcionam aqui) e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
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Paciente apresenta um episódio de abalos corporais intensos que dura 40 minutos. Imediatamente após parar de tremer, o paciente senta-se na maca, pergunta "O que aconteceu?" e está perfeitamente orientado no tempo e espaço. Por que a ausência de pós-ictal exclui uma crise convulsiva dessa duração?
Diagnóstico: Incompatibilidade Metabólica (Sugere Psicogênico). Fisiopatologia (Step 1): Uma crise epiléptica verdadeira é um evento de altíssimo consumo energético. Se o cérebro sofresse descargas elétricas generalizadas por 40 minutos (Status Epilepticus), haveria depleção massiva de ATP, acúmulo de lactato cerebral e edema citotóxico. Isso obrigatoriamente resultaria em um coma pós-ictal prolongado ou confusão mental severa. A recuperação instantânea da lucidez prova que o córtex não sofreu estresse metabólico. Manejo (Step 2): O raciocínio é: "Status Epilepticus Motor sem Coma = Psicogênico". O manejo envolve a comunicação empática do diagnóstico. Não dizer "você está fingindo", mas explicar que "suas crises são reais e causadas por estresse, não por descargas elétricas, por isso o remédio de epilepsia não funciona".
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Qual é o achado clássico no Vídeo-EEG que confirma o diagnóstico de Crise Não-Epiléptica Psicogênica durante um evento motor típico?
Diagnóstico: Dissociação Eletro-Clínica (Ritmo Alfa Posterior Normal durante o evento). Fisiopatologia (Step 1): O Vídeo-EEG registra simultaneamente o comportamento (vídeo) e a atividade elétrica (EEG). Na CNEP, o paciente apresenta movimentos vigorosos (artefatos musculares), mas o traçado de fundo do cérebro mostra um ritmo Alfa posterior (8-13 Hz), que é a assinatura de um cérebro acordado, relaxado e normal. É fisiologicamente impossível ter um ritmo de repouso normal enquanto o córtex está supostamente em convulsão. Manejo (Step 2): Este exame é o "Padrão Ouro". Uma vez documentado um evento típico com EEG normal, o diagnóstico é definitivo. Isso permite interromper a investigação de "epilepsia refratária" e focar na saúde mental, reduzindo custos e efeitos colaterais de drogas desnecessárias.
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Um homem de 60 anos relata que desmaiou à noite logo após se levantar para urinar. Ele nega confusão posterior, mas relata que sentiu "zumbido e náusea" antes de cair. Qual o nome específico desta síndrome e seu mecanismo fisiológico?
Diagnóstico: Síncope Situacional (Síncope da Micção). Fisiopatologia (Step 1): É um subtipo de síncope reflexa (semelhante à vasovagal). Ocorre devido a uma "tempestade perfeita" de gatilhos: a rápida descompressão da bexiga (alívio da distensão) ativa reflexos parassimpáticos cardioinibitórios. Somado a isso, a posição ortostática noturna e o esforço (Valsalva) reduzem o retorno venoso. O resultado é bradicardia e hipotensão súbitas. Manejo (Step 2): O manejo é comportamental e não medicamentoso. O paciente deve ser instruído a urinar sentado (para evitar a queda de altura se desmaiar e favorecer o retorno venoso) e a levantar-se lentamente da cama. Não requer marcapasso ou anticonvulsivantes.
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Uma paciente com epilepsia conhecida relata que suas crises ocorrem quase exclusivamente nos dias que antecedem ou durante o fluxo menstrual. A tabela de gatilhos cita "Menstruação". Qual a base hormonal para este fenômeno (Epilepsia Catamenial)?
Diagnóstico: Efeito neuroativo do Estrogênio (Pró-convulsivante) e da Progesterona (Anticonvulsivante). Fisiopatologia (Step 1): Os hormônios sexuais atravessam a barreira hematoencefálica e modulam a excitabilidade neuronal. O estrogênio reduz o limiar convulsivo (aumenta a excitação glutamatérgica). A progesterona (e seus metabólitos como a alopregnanolona) potencializa a inibição GABAérgica. Na fase perimenstrual, a queda abrupta da progesterona deixa o efeito excitatório do estrogênio "sem oposição", facilitando as descargas elétricas. Manejo (Step 2): O reconhecimento desse padrão permite terapias direcionadas, como o uso de Acetazolamida no período perimenstrual ou aumento temporário da dose do anticonvulsivante habitual (ex: Clobazam) apenas durante os dias vulneráveis do ciclo.
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A tabela indica que a "Incontinência Urinária" ocorre em 40% das síncopes e 23% das crises epilépticas. Fisiologicamente, por que esse sinal (liberação esfincteriana) ocorre na síncope, se não há atividade muscular convulsiva?
Diagnóstico: Perda da inibição cortical do centro pontino da micção. Fisiopatologia (Step 1): O controle da bexiga é um processo ativo: o córtex frontal envia sinais inibitórios constantes para o tronco cerebral para manter o esfíncter fechado. Durante a síncope, a hipoperfusão "desliga" o córtex frontal. Sem a inibição descendente, o arco reflexo da micção é liberado, e o esfíncter relaxa passivamente. Manejo (Step 2): Esta estatística (40% vs 23%) ensina que a presença de urina nas roupas NÃO tem valor discriminatório para diferenciar síncope de convulsão. O médico deve ignorar este sinal e focar na duração do pós-ictal e no tipo de queda (flácida vs rígida).
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Um paciente descreve que, antes de perder a consciência, sua visão ficou "cinza" (escurecimento visual) e o som ficou distante. Outro paciente descreve um cheiro de borracha queimada e sensação de medo súbito. Como esses pródromos diferenciam a origem do evento?
Diagnóstico: Escurecimento visual = Hipoperfusão (Síncope); Aura Olfatória/Medo = Atividade Cortical Focal (Epilepsia). Fisiopatologia (Step 1): O escurecimento visual ocorre porque a retina é extremamente sensível à hipoxia; a queda do fluxo sanguíneo afeta a visão antes da consciência (cegueira pré-síncope). Já a "aura" (cheiros, déjà vu, medo) não é um aviso, mas sim uma crise epiléptica focal simples em andamento, localizada no lobo temporal mesial, que depois se generaliza para perda de consciência. Manejo (Step 2): Se o pródromo é visual/auditivo (hipoperfusão), investiga-se o coração e o sistema autônomo. Se o pródromo é cognitivo/sensorial complexo (aura), investiga-se o cérebro (RM de crânio) buscando lesão estrutural no lobo corresDiagnóstico: Escurecimento visual = Hipoperfusão (Síncope); Aura Olfatória/Medo = Atividade Cortical Focal (Epilepsia). Fisiopatologia (Step 1): O escurecimento visual ocorre porque a retina é extremamente sensível à hipoxia; a queda do fluxo sanguíneo afeta a visão antes da consciência (cegueira pré-síncope). Já a "aura" (cheiros, déjà vu, medo) não é um aviso, mas sim uma crise epiléptica focal simples em andamento, localizada no lobo temporal mesial, que depois se generaliza para perda de consciência. Manejo (Step 2): Se o pródromo é visual/auditivo (hipoperfusão), investiga-se o coração e o sistema autônomo. Se o pródromo é cognitivo/sensorial complexo (aura), investiga-se o cérebro (RM de crânio) buscando lesão estrutural no lobo correspondente à aura.pondente à aura.
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A tabela destaca "Confusão pós-ictal: < 30 segundos" para Síncope. Qual mecanismo celular explica essa recuperação tão rápida da consciência após uma hipoperfusão global?
Diagnóstico: Preservação das reservas energéticas neuronais (Homeostase ATP). Fisiopatologia (Step 1): Na síncope, o neurônio "pausa" por falta de substrato, mas não gasta energia excessiva. Assim que o fluxo retorna (decúbito), a membrana repolariza instantaneamente. Na convulsão, o neurônio "corre uma maratona", disparando milhares de vezes por segundo, esgotando glicose e acumulando produtos tóxicos. A recuperação lenta (> 2 min) é o tempo necessário para o "reparo" metabólico e a remoção do lactato. Manejo (Step 2): Use o teste do "Nome e Endereço". Ao chegar na cena, se o paciente já consegue dizer o nome completo e onde mora corretamente, a probabilidade de ter sido uma crise tônico-clônica generalizada é quase zero. Considere síncope ou arritmia.
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O item "Quedas" diferencia Hipotonia (Síncope) de Rigidez (Crise Epiléptica). Como isso afeta o padrão de lesão traumática observado no exame físico?
Diagnóstico: Síncope causa trauma de "proteção falha" (queixo/face); Epilepsia causa trauma por contração ou impacto sem defesa. Fisiopatologia (Step 1): Na síncope, o paciente perde o tônus postural (colapso flácido). Se estiver em pé, os joelhos cedem e ele cai verticalmente. O reflexo de colocar as mãos falha por hipoperfusão cerebral, levando a traumas no queixo (ponto de impacto). Na epilepsia, a fase tônica (rigidez) pode lançar o paciente para trás (occipício) ou causar fraturas ósseas pela própria força muscular, independente do impacto. Manejo (Step 2): Ao examinar um paciente inconsciente com trauma, verifique o local da laceração. Laceração submentoniana (embaixo do queixo) é classicamente associada a síncope (queda de "cara no chão"). Fraturas de vértebras ou luxação de ombro sugerem a violência muscular da crise convulsiva ou choque elétrico.
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Menina de 7 anos é trazida pela mãe após a professora notar que ela "sai do ar" várias vezes ao dia, parando de escrever e ficando com o olhar vago por 10 segundos, sem cair da cadeira. Não há confusão pós-evento. A hiperpneia (soprar um catavento) no consultório reproduz o evento. Qual o achado clássico no EEG e o tratamento de primeira linha?
Diagnóstico: Crise de Ausência (Petit Mal). Fisiopatologia (Step 1): Diferente das convulsões focais ou tônico-clônicas, a crise de ausência envolve uma oscilação aberrante no circuito tálamo-cortical, dependente da ativação de canais de Cálcio tipo-T voltagem-dependentes no tálamo. O EEG mostra o padrão clássico de Ponta-Onda de 3 Hz (3 ciclos por segundo) generalizada. Manejo (Step 2): O tratamento de escolha é Etossuximida (bloqueia canais de Cálcio tipo-T). O Ácido Valproico é segunda linha (ou primeira se houver convulsões tônico-clônicas associadas). Atenção: Carbamazepina e Fenitoína podem PIORAR as crises de ausência e são contraindicadas.
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Paciente de 45 anos chega ao PS em coma (perda de consciência). A família relata que, minutos antes de desmaiar, ele gritou "Essa é a pior dor de cabeça da minha vida!" e vomitou. Ele não tem histórico de epilepsia. Qual a patologia vascular subjacente mais provável?
Diagnóstico: Hemorragia Subaracnoidea (HSA) por Ruptura de Aneurisma. Fisiopatologia (Step 1): A ruptura de um aneurisma sacular (geralmente na artéria comunicante anterior ou posterior do Polígono de Willis) causa extravasamento de sangue arterial em alta pressão no espaço subaracnoideo. O aumento súbito da Pressão Intracraniana (PIC) reduz a Pressão de Perfusão Cerebral a zero transitoriamente, causando a síncope/coma. O sangue irrita as meninges (cefaleia súbita/rigidez de nuca). Manejo (Step 2): Diagnóstico imediato com TC de Crânio sem contraste (vê sangue nas cisternas). Se TC normal mas suspeita alta (cefaleia thunderclap), fazer Punção Lombar (busca xantocromia). O manejo inclui controle de PA e uso de Nimodipino (bloqueador de canal de cálcio) para prevenir o vasoespasmo tardio, que causa isquemia secundária.
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Gestante de 34 semanas é trazida após uma convulsão tônico-clônica em casa. A PA na chegada é 160/110 mmHg e há edema significativo de membros inferiores. Qual é o fármaco anticonvulsivante específico para esta condição e seu antídoto em caso de toxicidade?
Diagnóstico: Eclâmpsia (Sulfato de Magnésio e Gluconato de Cálcio). Fisiopatologia (Step 1): A hipertensão gestacional grave causa disfunção endotelial e quebra da barreira hematoencefálica, levando a edema cerebral vasogênico (Síndrome de PRES - Encefalopatia Posterior Reversível) e hiperexcitabilidade neuronal. Manejo (Step 2): O tratamento definitivo é o parto (após estabilização). Para controle e profilaxia das convulsões, o Sulfato de Magnésio (MgSO4) é superior aos benzodiazepínicos ou fenitoína. Deve-se monitorar o reflexo patelar (sua perda é o primeiro sinal de toxicidade por magnésio) e a frequência respiratória. O antídoto para reversão imediata é o Gluconato de Cálcio.
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Um paciente idoso "desmaia" subitamente enquanto estendia roupa no varal (olhando para cima). Ele recupera a consciência rapidamente. O Doppler revela fluxo retrógrado na artéria vertebral esquerda. Qual a anatomia da estenose que causa esse fenômeno de "Roubo"?
Diagnóstico: Estenose da Artéria Subclávia (Proximal à origem da Vertebral). Fisiopatologia (Step 1): Este é um detalhe anatômico crucial. A estenose deve estar na Subclávia antes (proximal) de onde sai a artéria Vertebral. Quando o braço é exercitado, o sangue desce pela vertebral (roubando do cérebro) para suprir o braço, pois não consegue passar pela estenose da subclávia. Se a estenose fosse distal à vertebral, o fluxo cerebral seria normal. Manejo (Step 2): Confirmar com Angio-TC ou Angiografia. O tratamento é cirúrgico (bypass) ou endovascular (stent) apenas se sintomático (síncope ou isquemia de membro).
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Paciente em tratamento para Tuberculose apresenta convulsões refratárias. Ele está em uso de Isoniazida. Qual vitamina deve ser reposta imediatamente para cessar as crises?
Diagnóstico: Vitamina B6 (Piridoxina). Fisiopatologia (Step 1): A Isoniazida interfere no metabolismo da Piridoxina (Vitamina B6). A forma ativa da B6 (Piridoxal Fosfato) é um cofator essencial para a enzima Glutamato Descarboxilase (GAD), que converte Glutamato (excitatório) em GABA (inibitório). A deficiência de B6 leva à falha na síntese de GABA, resultando em convulsões. Manejo (Step 2): Em qualquer paciente com convulsão em uso de esquema para TB (RIPE), deve-se administrar Piridoxina IV empiricamente. Benzodiazepínicos podem não funcionar bem se não houver GABA suficiente para ser modulado.