Bipolar Flashcards
(7 cards)
Geral
Bora, Caio! Esse slide abre o tema Transtorno Bipolar, que é essencial em qualquer prova de psiquiatria. Aqui a gente já tem três pontos iniciais que são super cobrados. Vou explicar tudo que tá na imagem e já complementar com o que importa pra diagnóstico e raciocínio clínico. Vamo lá:
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TRANSTORNO BIPOLAR
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“Em questões genéticas, é próximo da Esquizofrenia”
– Perfeito e bem atual:
• Estudos genéticos mostram que o transtorno bipolar compartilha fatores de risco genéticos com a esquizofrenia, especialmente quando há episódios psicóticos durante a mania ou depressão.
– O transtorno bipolar tipo I, principalmente, tem uma forte carga hereditária, às vezes até mais que a esquizofrenia em famílias com história de TB.
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“Prevalência: 1–3%. Igual M/F. 30% tenta suicídio (maioria após 1º episódio de mania)”
– Estimativas:
• 1% para TB tipo I
• Até 3% incluindo TB tipo II e ciclotimia
– Afeta homens e mulheres igualmente, mas:
• Homens tendem a apresentar mais episódios maníacos
• Mulheres tendem a apresentar mais episódios depressivos e ciclagem rápida
– Risco de suicídio é altíssimo:
• Cerca de 30% tenta suicídio ao longo da vida
• O risco aumenta logo após o primeiro episódio maníaco, pois o paciente começa a lidar com as consequências do diagnóstico e da perda de controle
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Fatores de Risco (FR):
- Genéticos (altíssimo peso)
– Ter um parente de 1º grau com transtorno bipolar aumenta muito o risco.
– Em gêmeos monozigóticos, a concordância pode chegar a 60–70%.
– Genética é o principal fator de risco conhecido. - Episódios psicóticos prévios
– Ter apresentado sintomas psicóticos (delírios, alucinações) indica maior gravidade e pior prognóstico.
– Também aproxima o transtorno bipolar do espectro esquizofreniforme. - Ambientais (?)
– Há menos clareza sobre os fatores ambientais:
• Estresse, uso de substâncias, trauma na infância podem desencadear episódios, mas não são considerados causa primária.
• Estão mais associados a descompensações e piora do curso da doença.
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Reforços importantes pra prova (pra conectar com o que vem depois nos slides):
– Diagnóstico exige pelo menos 1 episódio de mania (não precisa ter tido episódio depressivo para TB tipo I).
– Mania pode ser com ou sem sintomas psicóticos.
– Transtorno bipolar II = hipomania + episódio depressivo maior (e nunca pode ter mania).
– Suicídio em bipolar costuma ocorrer em:
• Fase depressiva
• Ou fases mistas (alta energia + ideação negativa = risco altíssimo)
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Se quiser, já posso seguir pro próximo trecho sobre sintomas da mania, critérios do DSM-5, tratamento ou polaridade — só mandar!
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO I (TB I)
Esse slide tá excelente, Caio — ele resume com precisão os critérios diagnósticos do Episódio Maníaco segundo o DSM-5, que é o marcador diagnóstico central do Transtorno Bipolar Tipo I. Vamos destrinchar tudo ponto por ponto, com aprofundamentos clínicos e reforços de prova:
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TRANSTORNO BIPOLAR TIPO I (TB I)
Mais grave, geralmente com início ≥18 anos
Episódio maníaco = diagnóstico fechado
– Se o paciente tiver apenas 1 episódio maníaco na vida, mesmo sem depressão, já pode ser diagnosticado com Transtorno Bipolar Tipo I.
– A presença de episódio depressivo maior é comum, mas não obrigatória para o diagnóstico.
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Critérios do DSM-5 para Episódio Maníaco:
A – Humor anormal e elevado, expansivo ou irritável + aumento da energia/atividade
– Duração: ≥1 semana (ou qualquer duração se exigir internação).
– Humor:
• Eufórico (excesso de otimismo, entusiasmo exagerado)
• Expansivo (excessivamente sociável ou inibido)
• Irritável (com explosões de raiva)
– Energia aumentada, com hiperatividade, agitação, produção excessiva de atividades.
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B – Pelo menos 3 sintomas (ou 4 se o humor for apenas irritável)
(DSM-5 lista 7 sintomas, todos aparecem no slide):
1. Autoestima inflada / Grandiosidade
2. Redução da necessidade de sono (ex: 2h de sono e se sente ótimo)
3. Mais falante que o normal (pressão para falar, fala ininterrupta)
4. Fuga de ideias / pensamento acelerado
5. Distratibilidade (atento a estímulos irrelevantes)
6. Aumento da atividade direcionada a objetivos (ex: trabalho, projetos, sexualidade) ou agitação psicomotora
7. Envolvimento excessivo em atividades com alto risco de consequências dolorosas
– Ex: compras compulsivas, gastos, sexo sem proteção, dirigir perigosamente
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C – Prejuízo significativo ou necessidade de internação
– O comportamento é tão disfuncional que:
• Interfere no trabalho, vida social, familiar
• Pode gerar internações psiquiátricas ou legais
• Pode levar à quebra de vínculos afetivos, dívidas, acidentes, etc.
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D – Não é causado por substância ou condição médica
– Excluir:
• Drogas estimulantes (anfetaminas, cocaína)
• Hipertireoidismo
• Lesões cerebrais
• Medicamentos (corticoides, antidepressivos mal manejados)
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Observações clínicas importantes (reforçadas no slide):
– Psicose é MUITO comum
• Aparece em cerca de 50% dos episódios maníacos
• Predomina o delírio de grandiosidade ou de referência
• Pode haver alucinações auditivas, mas menos frequente que na esquizofrenia
– Ausência de episódio depressivo não exclui TB I
• Ou seja, um paciente pode nunca ter ficado deprimido, mas se teve 1 episódio maníaco típico, o diagnóstico se fecha.
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Pistas pra prova (e prática):
– Mais de 1 semana, ou menos se internar
– Se o humor for só irritável, exige 4 sintomas em vez de 3
– Se o paciente tem mania + psicose, é TB I, não esquizofrenia
– Se teve hipomania + depressão, é TB II, mas se tiver mania verdadeira alguma vez, vira TB I
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Se quiser, posso seguir com a explicação de episódio hipomaníaco e depressivo maior, ou tratamento de TB I (estabilizadores, lítio, anticonvulsivantes, antipsicóticos etc.). Tu que manda!
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II (TB II)
Perfeito, Caio — agora fechamos o quadro comparativo com o Transtorno Bipolar Tipo II, que é mais sutil, mais difícil de diagnosticar e frequentemente confundido com depressão recorrente. Vamos destrinchar cada ponto do slide com base no DSM-5-TR, reforçar diferenças em relação ao tipo I e destacar os pontos mais cobrados em prova. Bora:
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TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II (TB II)
Mais leve que o tipo I, início costuma ser mais tardio (média aos 25 anos)
Diagnóstico exige:
• Pelo menos 1 episódio depressivo maior
• Pelo menos 1 episódio hipomaníaco
• Ausência de episódio maníaco
(se houver mania, vira TB I, mesmo que só uma vez na vida)
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EPISÓDIO HIPOMANÍACO – Critérios do DSM-5
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A – Igual ao TB I, mas com duração mínima de 4 dias
– A diferença principal é a duração e intensidade menor:
• Mania: ≥ 7 dias ou qualquer duração com internação
• Hipomania: ≥ 4 dias consecutivos, com sintomas a maior parte do dia
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B – Igual TB I, mas menos intensos
– Os sintomas são os mesmos da mania:
• Autoestima inflada
• Menor necessidade de sono
• Mais falante
• Fuga de ideias
• Distratibilidade
• Atividade dirigida a objetivos
• Envolvimento em atividades de risco
– Porém, na hipomania, eles são mais sutis, menos disruptivos e não causam prejuízo funcional intenso.
– Isso torna o episódio mais difícil de ser percebido e diagnosticado, e muitas vezes só é identificado retrospectivamente.
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C – Mudança clara no comportamento
– A mudança deve ser evidente para o observador, comparando com o comportamento habitual da pessoa.
– Ex: mais expansivo, sociável, produtivo, falante ou impulsivo do que o normal.
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D – Observáveis por outras pessoas
– Critério chave: não basta o paciente se sentir diferente — as pessoas ao redor devem perceber a alteração.
– Ex: familiares notam que a pessoa “não para”, “fala demais”, “parece acelerada”.
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E – Não é grave o suficiente para hospitalização e não há psicose
– Diferença crítica para não confundir com mania:
• Hipomania NÃO pode ter sintomas psicóticos
• NÃO leva à internação por si só
• Se houver psicose ou prejuízo funcional severo → é mania, logo TB I
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F – Não causado por substância ou condição médica
– Como em todo transtorno do humor, é preciso excluir causas secundárias:
• Drogas (ex: cocaína, anfetaminas, antidepressivos)
• Hipertireoidismo
• Distúrbios neurológicos
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Resumo esperto pra tua prova:
– TB II = episódio depressivo maior + hipomania
– Hipomania ≠ mania: é mais leve, sem psicose, sem internação
– Diagnóstico é mais difícil porque:
• Sintomas são menos disruptivos
• Pode ser confundido com “fase boa”, “fase produtiva”
• Muitos pacientes são diagnosticados apenas como “depressivos”
– Psicose = exclusiva da mania (TB I)
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Se quiser, já posso seguir com os critérios do episódio depressivo maior, diferenças com ciclotimia, ou já partir pros fármacos usados no tratamento — tua call!
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS EM TRANSTORNO BIPOLAR
Excelente, Caio — esse trecho de diagnóstico diferencial é fundamental porque o transtorno bipolar (principalmente o tipo II) costuma ser confundido com vários outros quadros, especialmente quando não há mania clássica. Vamos detalhar cada item do slide, com explicações clínicas e o raciocínio que prova adora cobrar.
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DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS EM TRANSTORNO BIPOLAR
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- Transtorno Depressivo Maior (TDM)
– O diagnóstico mais confundido com TB II.
– Diferença chave:
• TDM: só episódios depressivos
• TB II: episódios depressivos + pelo menos 1 episódio hipomaníaco
– Dica clínica: se o paciente com “depressão” já teve:
• Fase de energia aumentada, menos sono, mais produtividade ou impulsividade, ainda que “boas”, pode ter sido hipomania.
– Por isso, ver a história prévia com atenção é essencial.
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- Transtorno de Personalidade (especialmente Borderline)
– Aqui o foco é na instabilidade do humor:
• No TP Borderline, o humor é:
• Irritável, reativo, relacional (muda em resposta a estímulos externos)
• Constante, não episódico (é a estrutura do sujeito)
• No TB, o humor se altera em episódios duradouros, mesmo sem gatilho externo.
– Outro ponto:
• Borderline = instabilidade afetiva + vazio + impulsividade + crise de identidade
• TB = alteração de humor cíclica e episódica, com períodos de normalidade entre episódios
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- Transtornos de Ansiedade
– Ansiedade pode gerar:
• Irritabilidade, insônia, agitação motora
• Mas não costuma haver euforia, fuga de ideias ou aumento da autoestima
– Dica clínica:
• Ansiedade = tensão antecipatória e medo do futuro
• Hipomania = empolgação e otimismo exagerado com o futuro
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- Uso de Substâncias
– Estimulantes (cocaína, anfetaminas), álcool, maconha etc.
– Podem causar:
• Euforia, insônia, delírios, impulsividade — imitando mania ou hipomania
– Crucial investigar intoxicação ou abstinência.
– Lembre: se os sintomas ocorrem apenas sob uso ou abstinência, não se fecha diagnóstico de TB.
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- Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
– Tanto o TB quanto o TDAH:
• Podem apresentar distratibilidade, impulsividade, agitação e insônia
– Diferença essencial:
• TDAH começa na infância, é crônico, não episódico
• TB é episódico, geralmente surge após adolescência
– Dica clínica: TDAH = padrão constante; TB = mudanças nítidas no estado mental
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- Outro tipo de Transtorno Bipolar
– TB I vs TB II vs Ciclotimia:
• Se já teve mania → TB I
• Se teve hipomania + depressão → TB II
• Se teve vários sintomas leves e flutuantes de hipomania e depressão por ≥2 anos sem remissão → Ciclotimia
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Fechamento esperto pra prova:
• Humor episódico e cíclico → pense em TB
• Humor reativo e constante → pense em TP (borderline)
• Insônia + euforia + produtividade + impulsividade = hipomania
• Ansiedade ≠ empolgação
• TDAH = início precoce e padrão fixo
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Se quiser, posso montar um quadro comparativo descritivo entre esses diagnósticos diferenciais pra revisar rapidão antes da prova. Ou podemos seguir com os próximos tópicos — só mandar!
AVALIAÇÃO CLÍNICA EM TRANSTORNO BIPOLAR
Muito bom, Caio — esse slide resume a abordagem clínica do paciente com transtorno bipolar ou suspeita de transtorno do humor, com foco na avaliação inicial, gravidade, critérios de encaminhamento e uso de escalas. Bora destrinchar linha por linha com aprofundamentos e reforço pra tua prova:
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AVALIAÇÃO CLÍNICA EM TRANSTORNO BIPOLAR
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Investigação inicial (clínica e funcional):
– Avaliar:
• Sintomas somáticos: ex. distúrbios do sono, dor, fadiga
• Exclusão de causas orgânicas:
• Neurológicas (epilepsia, tumor, demência)
• Endócrinas (hipotireoidismo, hipertireoidismo)
• Toxicológicas (uso de álcool, drogas, medicações como corticoides)
– Considerar:
• Estressores atuais (luto, ruptura afetiva, crise financeira)
• Traços de personalidade (borderline, histriônico, obsessivo)
• História familiar (HF): TB, esquizofrenia, suicídio
• Avaliação funcional: impacto no trabalho, vida social, autocuidado
• Rede de apoio: família, amigos, vínculos afetivos
• Uso de substâncias: depressivos → álcool, benzodiazepínicos; estimulantes → cocaína, anfetaminas
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GRAVIDADE
– Sem insight = paciente não percebe que está doente
• Ex: em mania, acredita que está melhor do que nunca
– Avaliar:
• Sofrimento subjetivo
• Prejuízo funcional
• Risco de suicídio (TS = tentativa suicida)
• Sintomas psicóticos (St psicóticos): delírios, alucinações, desorganização
• Desorganização comportamental: fala desconexa, agitação, impulsividade
– Ferramentas úteis:
• Escalas de sintomas (ver abaixo)
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Encaminhamento para Atenção Terciária (3a):
– Casos que não são manejáveis em APS ou CAPS I:
• Episódio maníaco ou hipomaníaco ativo
• Gravidez com transtorno bipolar (alto risco)
• Paciente com múltiplas recaídas ou crise atual
• Presença de uso/abuso de substâncias
• Ideação ou tentativa de suicídio
• Sintomas psicóticos ativos
– A APS pode seguir pacientes já estabilizados há ≥6 meses ou em retorno da atenção especializada
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Escalas (avaliação, não diagnóstico!)
– Nenhuma delas fecha diagnóstico, mas ajudam a:
• Quantificar gravidade
• Monitorar resposta ao tratamento
• Observar padrões de sintomas
Principais escalas citadas:
• YMRS (Young Mania Rating Scale): avalia gravidade da mania
• HCL-32 (Hypomania Checklist): rastreia sintomas hipomaníacos
• MDQ (Mood Disorder Questionnaire): rastreio de transtorno bipolar
• PHQ-9: rastreio e monitoramento da depressão (utilizado na APS)
• Afetivograma: ferramenta clínica gráfica e subjetiva para mapear oscilação de humor ao longo do tempo
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Dica final pra prova:
– Sempre excluir causas orgânicas e uso de substâncias antes de fechar diagnóstico de TB
– Episódios graves, com risco, psicose ou gestação → encaminhamento imediato para atenção especializada
– Escalas ajudam, mas diagnóstico é clínico e exige observação longitudinal
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Se quiser, posso montar agora um resumo geral do eixo diagnóstico e avaliativo do transtorno bipolar, ou seguir pro tratamento e estabilizadores de humor. Toca ficha!
Trat
Boa, Caio! Esse trecho tá completíssimo sobre tratamento do transtorno bipolar (TB I e II) — com foco em intervenções psicossociais, tratamento agudo (mania/depressão) e manutenção a longo prazo, tudo com base nas diretrizes mais atuais como CANMAT, NICE e APA. Vamos destrinchar linha por linha, integrar com raciocínio clínico e focar nos detalhes que costumam cair em prova:
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INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS – Primeira linha complementar
Psicoeducação
– Fundamental para:
• Adesão ao tratamento
• Reconhecimento precoce de sintomas
• Redução de recaídas
• Proteção neuroquímica (controle do estresse reduz neurotoxicidade)
– Inclui:
• Estímulo à atividade física
• Controle de hábitos, sono, substâncias
• Estratégias de enfrentamento
2ª linha: TCC e psicoeducação familiar
– Útil especialmente para melhorar:
• Função social
• Relações familiares
• Redução de recaídas por fatores externos (ex: críticas, instabilidade relacional)
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TRATAMENTO DA FASE MANÍACA
Fármacos de escolha
• Estabilizadores de humor:
• Lítio (padrão-ouro)
• Divalproato (melhor se houver agitação, irritabilidade)
• Antipsicóticos atípicos:
• Quetiapina, Asenapina, Aripiprazol, Risperidona, Paliperidona
• Obs: Olanzapina não é 1ª linha por efeitos adversos metabólicos importantes (síndrome metabólica)
Combinação recomendada:
• Estabilizador + antipsicótico atípico
→ melhor resposta em casos graves ou psicóticos
Resposta rápida:
• Lítio ou valproato + antipsicótico atípico (ação mais rápida em sintomas intensos)
Agitação psicomotora:
• Pode usar:
• Antipsicótico típico: haloperidol (efeito rápido, mas mais efeitos extrapiramidais)
• Atípicos com sedação (ex: quetiapina, olanzapina)
Manutenção:
• Lítio (primeira escolha), Quetiapina, Divalproato, Lamotrigina (boa para depressão, não eficaz na mania aguda)
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TRATAMENTO DA FASE DEPRESSIVA
Transtorno Bipolar I
• Evita-se uso isolado de antidepressivos (risco de virada maníaca)
• Primeiras linhas:
• Quetiapina
• Lurasidona
• Associados a lítio ou valproato
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Transtorno Bipolar II
Fase depressiva:
• Quetiapina (melhor evidência)
• Também pode usar lamotrigina (em fases mais leves, sem mania)
Manutenção no TB II:
• Quetiapina (em dose cronicamente ajustada)
• Lamotrigina (efeito antidepressivo, mas não serve para mania)
Doses diferentes conforme fase:
• Quetiapina:
• Mania: 400–600 mg/dia
• Depressão: 300 mg/dia
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AFETIVOGRAMA
– Ferramenta prática para mapear oscilações de humor ao longo do tempo
– Ajuda no acompanhamento e diferenciação entre:
• Ciclos típicos de TB
• Resposta ao tratamento
• Episódios mistos ou rápidos
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Outros pontos importantes para prova e prática:
– Antidepressivos isolados podem desencadear virada maníaca, principalmente ISRS.
– Avaliação por fases evolutivas:
• Latência: sem sintomas claros
• Estágio 1: sintomas inespecíficos leves
• Estágio 2 e 3: prejuízos funcionais moderados a graves
• Estágio 4: comprometimento funcional severo
– Suspender psicoestimulantes (ex: metilfenidato) se houver suspeita de TB não diagnosticado
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Resumo esperto pro teu fichamento:
• Mania: lítio ou valproato + antipsicótico atípico
• Depressão bipolar: quetiapina ou lurasidona + estabilizador
• TB II: quetiapina e lamotrigina são boas opções
• Evitar antidepressivos isolados
• Manutenção por tempo indeterminado
• Psicoeducação é fundamental, TCC pode ajudar
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Se quiser, posso montar um esquema visual só com as linhas de tratamento por fase (mania, depressão, manutenção TB I e II) — ou seguir com mais conteúdo dos slides. Tamo junto!
Extra
Excelente pergunta, Caio — tua cobertura de bipolaridade tá praticamente impecável, mas como tu sempre pede o grosso, com 100% e sem deixar nada passar, aqui vão os últimos pontos importantes que valem a pena saber e que ainda não apareceram nos teus slides:
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- Episódios mistos (ou com características mistas)
– Muito importante e frequentemente negligenciado.
– Ocorre quando o paciente apresenta sintomas maníacos e depressivos ao mesmo tempo.
Exemplo clínico clássico:
• Pessoa com energia e agitação mas com ideação suicida intensa
• Isso é mais perigoso que mania pura ou depressão pura
DSM-5 define como:
Presença de ≥3 sintomas do polo oposto durante um episódio maníaco, hipomaníaco ou depressivo.
Conduta:
• Evitar antidepressivo isolado!
• Preferir quetiapina, lítio ou anticonvulsivantes + antipsicótico atípico
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- Ciclagem rápida
– Definida como ≥4 episódios de alteração de humor em 1 ano (mania, hipomania ou depressão)
– Mais comum em:
• Mulheres
• TB II
• Uso de antidepressivos mal indicados
Conduta:
• Evitar antidepressivos
• Preferir valproato ou lamotrigina
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- Espectro bipolar e diagnósticos subclínicos
– Nem todo paciente encaixa 100% nos critérios clássicos.
– Conceito de espectro bipolar inclui:
• Irritabilidade crônica com episódios breves de elevação do humor
• Hipomania induzida por antidepressivos
• “Bipolares encobertos” diagnosticados erroneamente como depressivos recorrentes
Dica de ouro:
Se o paciente não responde bem a antidepressivo, ou piora com ele → pensa em bipolaridade escondida
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- Uso de antidepressivos em TB – quando e como?
– Se absolutamente necessário, só usar:
• ISRS (fluoxetina, sertralina) ou bupropiona
• Sempre em combinação com estabilizador do humor
– Nunca usar:
• Tricíclicos (ex: amitriptilina)
• IMAO (ex: tranilcipromina)
→ ambos têm alto risco de virada maníaca
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- Biomarcadores e neuroimagem (pra conhecimento e atualização)
– Ainda em fase de pesquisa, mas tem aparecido em diretrizes:
• Alterações em áreas límbicas e pré-frontais
• Marcadores inflamatórios elevados em fases agudas
• Redução de volume hipocampal e amígdala em fases crônicas mal tratadas
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- Risco aumentado de comorbidades clínicas e psiquiátricas
• Psiquiátricas:
• Transtornos de ansiedade
• Abuso de substâncias (comum em mania)
• TDAH e TP borderline (muito confundidos)
• Clínicas:
• Síndrome metabólica (especialmente com olanzapina e quetiapina)
• Doenças cardiovasculares
• Diabetes mellitus tipo 2
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- Lítio – ouro, mas exige cuidado
– Benefícios:
• Reduz suicídio (único com essa propriedade comprovada)
• Previne recaídas maníacas e depressivas
– Riscos:
• Nefrotoxicidade crônica
• Hipotireoidismo
• Intoxicação aguda (nível > 1,5 mEq/L)
Monitoramento:
• Lítio sérico (5–7 dias após início)
• Função renal e TSH semestral ou anual
• Hidratação adequada
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Fechamento: o que pode cair que ainda não caiu?
• Episódio misto
• Ciclagem rápida
• Indução de hipomania por antidepressivo
• Uso criterioso do lítio e seus riscos
• Comorbidades e contraindicações relativas a estabilizadores
• Critérios para uso de antidepressivos + estabilizador
• Espectro bipolar e TB “mascarado” de depressão resistente
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Se tu quiser, posso montar agora um “ultra-resumo final” com quadro comparativo entre TB I, TB II, ciclotimia, misto, fases e tratamento. Mas se quiser seguir com outro tema, tamo pronto também!