Execução - Doutrina Flashcards

(33 cards)

1
Q

Qual é a diferença conceitual fundamental entre o “cumprimento de sentença” e o “processo de execução”?

A

O cumprimento de sentença é uma fase processual, enquanto o processo de execução é uma ação autônoma.

O cumprimento de sentença ocorre dentro de um processo já existente para satisfazer um título judicial. O processo de execução é instaurado especificamente para executar um título extrajudicial.

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2
Q

Quais são os três requisitos essenciais que uma obrigação deve ter para poder ser executada?

A

A obrigação deve ser certa, líquida e exigível.

A certeza diz respeito à sua existência; a liquidez, à determinação de seu valor (quantum); e a exigibilidade, ao seu vencimento e inadimplemento.

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3
Q

No debate sobre a faculdade de um credor com título executivo extrajudicial, quais são os argumentos centrais da corrente que defende a opção pelo processo de conhecimento em contraste com a corrente que a critica?

A

A obtenção de maior segurança jurídica versus a falta de interesse de agir e a violação da economia processual.

A corrente favorável foca na estratégia da parte em antecipar a defesa do devedor. A corrente contrária argumenta que é um desperdício da atividade jurisdicional criar um título que já existe.

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4
Q

Dentro da execução civil, qual princípio fundamental estabelece que o devedor não responde com sua liberdade, mas com seu acervo de bens, para quitar suas dívidas?

A

O princípio da responsabilidade patrimonial.

Conforme este princípio, a dívida é garantida por todos os bens presentes e futuros do devedor. A prisão civil por dívida alimentar é uma exceção, mas funciona como meio de coerção, não de satisfação.

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5
Q

Em termos de finalidade, qual é a diferença conceitual entre os meios de coerção, como a prisão e as astreintes, e os meios de satisfação na execução?

A

Meios de coerção buscam forçar o cumprimento, enquanto meios de satisfação visam quitar a dívida diretamente.

A expropriação de bens é um meio de satisfação, pois o valor obtido paga o credor. Já a prisão do devedor de alimentos não extingue a obrigação de pagar.

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6
Q

A proteção de certos bens contra a penhora, conhecida como impenhorabilidade, se justifica por quais dois fundamentos principais, um voltado ao devedor e outro à conduta processual?

A

A proteção da dignidade do executado e a boa-fé objetiva.

O primeiro fundamento busca garantir um mínimo existencial (humanização da execução), enquanto o segundo visa evitar o abuso de direito pelo credor.

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7
Q

No antigo debate jurisprudencial sobre a impenhorabilidade da pequena propriedade rural, qual era a principal divergência em relação ao ônus da prova que cabia ao devedor?

A

A divergência era se o devedor deveria provar todos os requisitos ou se havia presunção de que a terra era trabalhada pela família.

Uma posição exigia que o devedor provasse que a propriedade era pequena e explorada pela família. A outra posição entendia que, provando ser pequena, a exploração familiar era presumida.

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8
Q

Quando o devedor aliena bens para se esquivar de uma obrigação já em cobrança judicial, qual é o conceito que define esse ato e qual seu principal efeito jurídico em relação ao credor?

A

O ato é a fraude à execução, e seu efeito é a ineficácia da alienação perante o exequente.

A ineficácia significa que, para o credor, é como se o bem nunca tivesse saído do patrimônio do devedor, podendo ser penhorado mesmo em nome de um terceiro. Não se trata de anulação do negócio.

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9
Q

A multa por ato atentatório à dignidade da justiça pode ser aplicada tanto no processo de conhecimento quanto na execução. Qual é a diferença fundamental em relação ao destino do valor arrecadado em cada caso?

A

Na execução, a multa reverte para o exequente; no processo de conhecimento, reverte para o Estado.

Essa distinção no beneficiário da multa altera a natureza da sanção e o incentivo para sua aplicação em cada fase ou processo.

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10
Q

A defesa do executado se manifesta de formas diferentes dependendo da natureza do título. Qual a diferença conceitual entre a defesa apresentada no cumprimento de sentença e aquela cabível no processo de execução autônomo?

A

A defesa no cumprimento de sentença é a impugnação (incidente processual), enquanto na execução de título extrajudicial são os embargos à execução (ação autônoma).

A principal consequência prática dessa diferença é a amplitude da matéria que pode ser alegada, sendo geralmente mais restrita na impugnação.

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11
Q

Qual é a controvérsia doutrinária central que opõe, de um lado, a autonomia do credor para escolher uma via processual mais segura e, de outro, a eficiência e o interesse público do sistema de justiça?

A

É o debate sobre a faculdade de optar pelo processo de conhecimento mesmo já possuindo um título executivo extrajudicial.

Os defensores da faculdade (Humberto Theodoro Júnior) valorizam a estratégia da parte. Os críticos (Daniel Amorim Assumpção Neves) focam na ausência de necessidade do provimento e na economia processual.

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12
Q

Sobre a impenhorabilidade da pequena propriedade rural, qual era a divergência jurisprudencial a respeito da presunção de exploração familiar?

A

A controvérsia era se a exploração familiar deveria ser provada pelo devedor ou se era presumida, uma vez comprovado o tamanho do imóvel.

Este debate ilustra a tensão entre a proteção constitucional ao pequeno produtor e as regras de distribuição do ônus da prova no processo de execução.

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13
Q

No que tange à fraude à execução em casos de desconsideração da personalidade jurídica, qual debate o CPC/2015 instaurou ao definir um novo marco temporal para sua configuração?

A

O debate sobre se o marco inicial da fraude é a citação da pessoa jurídica (tese do novo CPC) ou a citação do sócio (entendimento jurisprudencial anterior).

A nova regra, ao antecipar o marco para a citação da empresa, gerou polêmica sobre a superação ou não do entendimento consolidado de que a fraude contra o sócio só se configuraria após sua citação pessoal.

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14
Q

Conforme o STJ, em uma execução de título extrajudicial para cobrança de cotas condominiais, é permitida a inclusão das parcelas que se vencerem no decorrer do processo?

A

Sim, é possível incluir as parcelas vincendas até o cumprimento integral da obrigação.

O entendimento do STJ é que o art. 323 do CPC/2015, que trata das prestações periódicas, aplica-se por analogia ao processo de execução, desde que as parcelas sejam homogêneas, contínuas e da mesma natureza.

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15
Q

De acordo com a Súmula 300 do STJ, o instrumento de confissão de dívida, mesmo que seja originário de um contrato de abertura de crédito, é considerado que tipo de título?

A

Constitui título executivo extrajudicial.

Esta súmula pacificou o entendimento de que a confissão de dívida tem força executiva própria, independentemente da natureza do contrato que lhe deu origem.

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16
Q

Segundo o STJ, para que um contrato eletrônico de mútuo com assinatura digital seja considerado um título executivo extrajudicial, o que é dispensado?

A

É dispensada a assinatura de duas testemunhas.

A dispensa ocorre porque os meios de verificação de autenticidade e integridade do contrato eletrônico são considerados suficientes para conferir-lhe força executiva, conforme posteriormente positivado no art. 784, § 4º, do CPC.

17
Q

O contrato de seguro de automóvel, diferentemente do seguro de vida, é considerado um título executivo extrajudicial apto a ser cobrado diretamente via ação de execução?

A

Não, o contrato de seguro de automóvel não é considerado título executivo extrajudicial.

A via adequada para cobrar a indenização do seguro de automóvel é a ação de conhecimento, pois, diferentemente do seguro de vida (art. 784, VI, CPC), ele não possui liquidez, certeza e exigibilidade inatas.

18
Q

Para que os títulos executivos extrajudiciais originários de um país estrangeiro possam ser executados no Brasil, eles dependem de homologação prévia pelo STJ?

A

Não, os títulos executivos extrajudiciais estrangeiros não dependem de homologação para serem executados.

A sua eficácia executiva, contudo, depende do preenchimento dos requisitos de formação da lei do local de celebração e que o Brasil seja o lugar indicado para o cumprimento da obrigação.

19
Q

Conforme o Enunciado 446 do FPPC, mesmo que o autor já seja portador de um título executivo extrajudicial, qual outra ação, além da execução, ele pode utilizar?

A

Cabe ação monitória.

Assim como a opção pelo processo de conhecimento, o enunciado confirma a faculdade do credor de escolher a via da ação monitória, ainda que já possua um título com força executiva.

20
Q

Segundo entendimento do STJ, a teoria do adimplemento substancial, que busca preservar o negócio jurídico quando a maior parte da obrigação foi cumprida, pode ser aplicada para afastar a prisão civil em dívidas de natureza alimentar?

A

Não, a teoria do adimplemento substancial não tem incidência nos vínculos jurídicos familiares para solver controvérsias de natureza alimentar.

A jurisprudência considera a obrigação alimentar de tal relevância que o seu cumprimento parcial não é suficiente para afastar as medidas coercitivas, como a prisão.

21
Q

É constitucional a penhora do bem de família pertencente ao fiador de um contrato de locação comercial?

A

Sim, é constitucional a penhora do bem de família do fiador, seja em contrato de locação comercial ou residencial.

O STF, em repercussão geral (Tema 1127), e o STJ, em recurso repetitivo (Tema 1091), pacificaram o entendimento sobre a validade da penhora nesses casos.

22
Q

Conforme a Súmula 449 do STJ, a vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis constitui bem de família para efeito de impenhorabilidade?

A

Não, a vaga de garagem com matrícula própria não constitui bem de família para efeito de penhora.

A proteção do bem de família não se estende à vaga de garagem que é registrada como uma unidade autônoma e separada do imóvel residencial.

23
Q

Segundo a Súmula 486 do STJ, o único imóvel residencial do devedor que está alugado para terceiros perde a proteção da impenhorabilidade?

A

Não, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da família do devedor.

A proteção ao bem de família é mantida se os frutos civis do imóvel (aluguel) são utilizados para garantir o direito à moradia da entidade familiar em outro local.

24
Q

A jurisprudência do STJ equipara os honorários advocatícios à prestação alimentícia para fins de permitir a penhora de salário do devedor?

A

Não, a natureza alimentar dos honorários não se equipara à prestação alimentícia para autorizar a penhora de verbas remuneratórias.

Entende-se que a exceção à impenhorabilidade do salário, prevista no art. 833, § 2º, do CPC, é restrita a dívidas de alimentos decorrentes de vínculo familiar ou ato ilícito, não abrangendo honorários.

25
De acordo com o entendimento do STJ, um imóvel em fase de construção pode ser considerado bem de família para fins de impenhorabilidade?
Sim, o imóvel adquirido para moradia futura, mesmo que ainda em obra, é protegido pela impenhorabilidade. ## Footnote A jurisprudência adota uma interpretação finalística da lei, considerando que a proteção deve abranger o esforço da família para concretizar o direito à moradia, ainda que não esteja residindo no local.
26
Conforme a Súmula 549 do STJ, qual é a validade da penhora de um bem de família que pertence ao fiador de um contrato de locação?
É válida a penhora do bem de família pertencente ao fiador de contrato de locação. ## Footnote Este entendimento foi reafirmado pelo STF e pelo próprio STJ, aplicando-se tanto a locações residenciais quanto comerciais.
27
Segundo a jurisprudência do STJ, a proteção da impenhorabilidade da pequena propriedade rural prevalece mesmo que o proprietário a tenha oferecido em garantia hipotecária?
Sim, a pequena propriedade rural trabalhada pela família é impenhorável, mesmo quando oferecida em hipoteca. ## Footnote O STJ entende que a impenhorabilidade, neste caso, é uma norma de ordem pública derivada da Constituição e, portanto, indisponível e irrenunciável pela vontade das partes.
28
Qual é o entendimento do STJ sobre a extensão da impenhorabilidade do valor depositado em caderneta de poupança (até 40 salários mínimos) para outros tipos de aplicação financeira?
A regra da impenhorabilidade de até 40 salários mínimos se estende a valores depositados em conta corrente ou em fundos de investimento. ## Footnote O STJ entende que o objetivo da norma é proteger a reserva patrimonial que assegura o mínimo existencial, não se limitando à modalidade "caderneta de poupança".
29
Conforme o entendimento consolidado na Súmula 375 do STJ, quais são os dois requisitos alternativos para o reconhecimento da fraude à execução?
O registro da penhora do bem alienado ou a prova de má-fé do terceiro adquirente. ## Footnote Inexistindo o registro da penhora na matrícula do imóvel, o ônus da prova de que o terceiro adquiriu de má-fé (sabendo da ação) é do credor.
30
Segundo a Súmula 268 do STJ, o fiador que não participou da relação processual em uma ação de despejo pode ser responsabilizado na fase de execução do julgado?
Não, o fiador que não integrou a relação processual na ação de despejo não responde pela execução do julgado. ## Footnote Para que o fiador seja executado com base na sentença do despejo, é necessário que ele tenha sido citado e participado do processo de conhecimento.
31
O Enunciado 536 do FPPC admite que o juiz, na execução civil, determine a quebra de quais sigilos para obter informações sobre o patrimônio do devedor?
O juiz poderá determinar a quebra do sigilo bancário e fiscal. ## Footnote Este enunciado reforça os poderes instrutórios do juiz na execução, previstos nos artigos 772 e 773 do CPC, para garantir a efetividade do processo.
32
Conforme a Súmula 27 do STJ, é possível que uma mesma execução se funde em mais de um título extrajudicial?
Sim, desde que os títulos sejam relativos ao mesmo negócio. ## Footnote Este entendimento complementa a regra da cumulação de execuções do art. 780 do CPC, permitindo a unificação da cobrança de títulos vinculados a uma única relação jurídica.
33
Conforme a doutrina, quantas finalidades essenciais a penhora desempenha? (6)
* Individualizar o bem sobre o qual recairá a execução; * Conservar o bem, retirando-o da livre disposição do executado; * Atribuir direito de preferência ao exequente; * Garantir a publicidade do ato executivo; * Possibilitar o exercício do contraditório pelo executado; * Ensejar o processo para a avaliação oficial do bem.